quinta-feira, 9 de junho de 2011

Desembestando

           Sei, parece que abandonei o site, deixando-o à mercê de todos os outros escritores daqui. Por sorte, tê-los manteve o Pictorescos em sua caminhada, mesmo que lenta, ultimamente, mas em caminhada. E logo depois de ter tomado um esporro público de uma de minhas amigas e escritoras aqui do grupo, resolvi colocar as manguinhas de fora e escrever. Não escrever qualquer coisa. Mas escrever, escrever e escrever. 
          Sim, comprometo-me a escrever sempre, pelo menos um texto por semana hei de colocar aqui no nosso site. Sim, comprometo-me a fazê-lo se mexer, até por respeito aos nossos atuais três mil leitores mensais. Sim, comprometo-me a fazer as colunas antigas se mexerem, pois até elas se estagnaram. Sim, comprometo-me a colocar no eixo o Pictorescos. Sou o editor, nunca abri mão desse papel de limitador e ao mesmo tempo capacitador. Sim, digo a todos que também estou à procura de novos escritores. Quero colunistas e mais colunistas. Todos aqueles que estiverem dispostos a escrever pelo menos dois textos por mês, eu estou disposto a aceitar - só mantenho minhas ressalvas para as qualidades. 
           Para quem não sabe, ainda há sonhos a serem realizados com o Pictorescos. Desde o começo, ele é um grupo de estudo, baseado em cima de um blog, mas um grupo de estudo, de observação sobre aquilo que acontece em nosso torno, que se diz respeito à música, literatura e arte como um todo. Com o tempo, tornou-se um ambiente de sutis observações, catapultas de vislumbrações e veemências pessoais. Algo que julguei ser a cara do Pictorescos, aquilo que de maneira ou de outra torna-se uma crônica das mínimas vivências contemporâneas. Um crônica viva, adepta das várias mutações textuais possíveis. 
         A partir de hoje estarei desembestado, colocando tudo aqui que estou escrevendo, mas tudo mesmo, desde as pequenas intervenções nos meus mais íntimos escritos, como também estando a analisar o que estamos a escrever. Eu também estou sem freio, pois andei muito tempo com a roda presa. 

Espero que gostem do novo resultado!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Obituário II (esse post anda meio macabro...)

É com enorme alegria que venho por meio deste obituário tornar pública – uma vez mais – a morte do pseudo-escritor (amador e amante); aprendiz de feiticeiro; guitarrista de merda... Dé Garfield, aos trinta e cinco anos.

Morreu no abismo da superfície do chão, em sua busca incessante pelo controle, brilhantismo, perfeição, a ideia que ninguém jamais pensou, o gozo mais profundo e inesquecível, a nota que nunca “arranha” ou sai da escala. A ele não foram dedicados o Nobel da Paz, a legendária guitarra produzida uma vez por ano pela Fender, qualquer poesia ou verso e nenhum especial da Rede Globo de Televisão.

Morreu para reformular-se e forjar-se, renascido como a Fênix mitológica, mais generoso consigo, mais falho, mais igual e mais gente...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Caso verídico

Isso é uma história real!

E-mail para paulazdanowsky:

Isto é um aviso:
Você tem até o fim do presente dia para mandar o seu curriculum vitae para o e-mail do Ilustríssimo Senhor Renê Pimentel.
Caso isso não aconteça, ao final de casa hora ímpar do dia sua caixa de entrada receberá um e-mail contendo vírus potentes que agirão independente da sua vontade. E não adianta excluir o e-mail sem abrí-lo, pois, uma vez em sua caixa de entrada, ele agirá de forma destruitiva.
A cada duas horas de atraso, o vírus corromperá uma parte dos seus arquivos salvos (e isso inclui aqueles que foram salvos em cd/ dvd/ pendrive e que já foram deletados do computador, porque o vírus é realmente muito potente!). A destruição começará pelos arquivos da faculdade, depois passará para as fotos, músicas, vídeos, e históricos do msn.
Caso você faça o que foi solicitado no devido tempo, seu computador não será invadido e nenhuma das ameaças acima se concretizarão.


P.s.: Poderia muito bem entrar em contato com os meus amigos hackers e inventar um programa destrutivo assim, mas resolvi humildemente pedir uma coisa simples: MANDA LOGO ESSE CURRICULUM PRO NOSSO TIO E FACILITA A MINHA VIDA!?

Atenciosamente,

Bárbara Zdanowsky
Graduanda do Curso de Comunicação Social - Jornalismo (e sua irmã)
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto - MG

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coletivo

Eu sei, o automóvel é um dos grandes ícones – para usar uma palavra da moda – do capitalismo. Sonho de consumo a alimentar desejos e que fascina especialmente aos homens. Inegável a utilidade do carro: facilita a locomoção, faz com que se chegue mais rápido, você controla a trilha sonora, sem contar que dá até para comer no carro... Uma maravilha! Mas quer saber, adoro igualmente coletivos. Ou melhor, gosto da atmosfera, de ver pessoas e ouvir o que elas andam falando. Sim, por que não?! Certa curiosidade em relação “ao outro”, no meu caso, é pressuposto básico de trabalho (mas, deixemos de lado certas “pessoalidades”), e de mais a mais, alguns cronistas de verdade, como Machado de Assis e Lima Barreto possuem grandes histórias embaladas pelos solavancos de carruagens e bondes.
Mas outro dia foi exagero, quase uma síntese do gênero humano dentro daquele ônibus. Viagem longa e enfadonha, se não fosse algumas pérolas, que de tão edificantes merecem serem aqui compartilhadas.

Para começar, uma senhora, digamos, tamanho GG saca um celular para fazer uma ligação:
- Oi querida, e aí? Vou para sua terra semana que vem. Mas me diga, qual é seu número agora, porque vou comprar-lhe uma blusa ...
- Nossa! Isso tudo! Ta igual a mim, uma baleia!
“A adoro ela, é uma das minhas melhores amigas”. Confessou ternamente para a senhora que sentava ao seu lado.
Esses tipos sinceros são os mais comuns. Imagina se ela não gostasse da “amiga”, não haveria nem a blusa nem tampouco o elogio tão afável.
Outro tipo absolutamente comum é aquele que adora contar coisas muito, muito pessoais a qualquer desconhecido que esteja próximo. Nesse quesito vale tudo: reclamar de dívidas; que o marido “não comparece”; que a filha se envolveu com um maconheiro que tirou a virgindade dela e foi embora...
A afirmação do mundo burguês e do racionalismo científico deve ter alguma culpa nisso – entre outras, naturalmente. Os sacerdotes andam meio desacreditados e não temos muito tempo para ter ou nos relacionar com nossos amigos, preocupados que estamos em ganhar e gastar dinheiro. Dessa forma ou recorrermos aos psicólogos (para gastar mais dinheiro em troca de sermos ouvidos) ou inconscientemente – Freud explica? – as pessoas andam descarregando esse tipo de coisa ao rodar a roleta do ônibus, o grande divã das camadas populares, que catarticamente expiam e ouvem os problemas de sua existência.
“No tempo da revolução não era essa bagunça...” Nossa! Ainda bem que essa eu não ouvi inteira. O tipo reacionário que sente saudades das atrocidades e desatinos da ditadura militar também anda por aí à solta. Cigarra tocando! Meu ponto! Estou salvo! Mas essa foi apenas à ida. O que me aguarda na volta?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Obituário I

Cresci (e ando envelhecendo) ouvindo dizer que "ex" e "vice" não representam nada. Mas para minha desconcertante surpresa me deparei com uma bandeira do Brasil - fora da época da copa do mundo, ainda por cima - à meio-palmo na instituição federal onde estudo por conta do luto ao nosso "ex-vice-presidente" ... Que, ainda falando em surpresas, fora lembrado pela grande imprensa como milionário empresário íntegro e honesto ...

Isso seria mais uma antítese ou um paradoxo????

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