segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Segundas de Literatura VI
Lucidez é uma coisa para poucos.
E esse é um dos poucos que possuem uma clareza límpida e tranquila. Tal qual sua voz traduz.
"Literatura é isso. Literatura é sua expressão verbal tornada em utilidade pública"
Affonso Romano de Sant'anna
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Sexta às nove (27)
Sua dose semanal de remédio musical.
Estou cometendo um crime.
Estou postando a mesma música que postei a 3 semanas atrás. E propositadamente. Sou indesculpável.
Mas me entendam.
Sivuca é conhecido por sempre se esforçar em colocar o acordeon entre os instrumentos sinfonicos.
Quando, num passado distante, foram escolhidos os instrumentos que fariam parte de uma orquestra, os instrumentos foram selecionados de acordo com o seguinte critério: altura. Os instrumentos com maior potência sonora entraríam, os de menos, estariam fora. Por isso entre os instrumentos de cordas dedilhadas (violão, alaude, etc) e os de cordas arqueadas (violino, violoncelo e companhia) ficaram os segundos mesmo o violão tendo participações. Entre a flauta doce e a transversa, ficou a transversa. A sanfona deveria ter entrado!
E pra corrigir esse erro, nasceu Sivuca.
O título do DVD do qual esse vídeo foi retirado fala por mim: Sivuca - O Poeta do Som.
Aproveite.
Estou cometendo um crime.
Estou postando a mesma música que postei a 3 semanas atrás. E propositadamente. Sou indesculpável.
Mas me entendam.
Sivuca é conhecido por sempre se esforçar em colocar o acordeon entre os instrumentos sinfonicos.
Quando, num passado distante, foram escolhidos os instrumentos que fariam parte de uma orquestra, os instrumentos foram selecionados de acordo com o seguinte critério: altura. Os instrumentos com maior potência sonora entraríam, os de menos, estariam fora. Por isso entre os instrumentos de cordas dedilhadas (violão, alaude, etc) e os de cordas arqueadas (violino, violoncelo e companhia) ficaram os segundos mesmo o violão tendo participações. Entre a flauta doce e a transversa, ficou a transversa. A sanfona deveria ter entrado!
E pra corrigir esse erro, nasceu Sivuca.
O título do DVD do qual esse vídeo foi retirado fala por mim: Sivuca - O Poeta do Som.
Aproveite.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Segundas de Literatura V
Cristóvão Tezza,
Neste leve trabalho de pesquisa que faço, burilando imagens videográficas, eis que me encontro com esse vídeo. Ele é mais um laureado com o Prêmio São Paulo de Literatura. E essa entrevista para lá de espirituosa dá uma boa apresentação dinâmica do que ele coloca em papel.
Este é mais um que merece ser lido em sua plenitude.
Ainda não o li, vou confessar, mas encontrei boníssimas críticas ao Filho Eterno, esse que o trouxe para frente das câmeras. Merecidamente.
Aproveitem
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Sexta às nove (26)
Sua dose semanal de remédio musical.
Luís Gonzaga. O rei do Baião.
Uma vez li que Luís Gonzaga disse que gostaria de ser lembrado como o sanfoneiro que cantou para o povo. Os causos do povão.
Esse vídeo, já vou avisando, só tem musica nos últimos minutos. Se você quizer só ouvir a música, pode adiantar, mas ouça meu breve apelo.
Desaprendemos a ouvir histórias. E como perdemos juntamente com esse costume. Nossas histórias hoje são fragmentadas, ágeis e cedem tempo para comerciais da polishop! Seguem o modelo televisivo. Informações rápidas, passadas fragmentadamente e superficialmente. Daí o estranhamento, a leve inclinação que sentimos de não ler certo livro por ser tão grande. Damos tanta importância e relevância aos "avanços" tecnológicos, erroneamente associamos isso a um avanço do homem.
Contar histórias é comunicar.
E como uma música fica mais gostosa depois de saber que causo a causou!
Aproveite.
Luís Gonzaga. O rei do Baião.
Uma vez li que Luís Gonzaga disse que gostaria de ser lembrado como o sanfoneiro que cantou para o povo. Os causos do povão.
Esse vídeo, já vou avisando, só tem musica nos últimos minutos. Se você quizer só ouvir a música, pode adiantar, mas ouça meu breve apelo.
Desaprendemos a ouvir histórias. E como perdemos juntamente com esse costume. Nossas histórias hoje são fragmentadas, ágeis e cedem tempo para comerciais da polishop! Seguem o modelo televisivo. Informações rápidas, passadas fragmentadamente e superficialmente. Daí o estranhamento, a leve inclinação que sentimos de não ler certo livro por ser tão grande. Damos tanta importância e relevância aos "avanços" tecnológicos, erroneamente associamos isso a um avanço do homem.
Contar histórias é comunicar.
E como uma música fica mais gostosa depois de saber que causo a causou!
Aproveite.
1.000 (des)caminhos III (FINAL)
Na quarta-feira o relógio, ou o sono atrasado habitual, traiu Mathieu. Acordou sobressaltado e se arrumou de forma um pouco mais corrida. Uma breve xícara de café e mais estrada!
“Como será que vai ser hoje com a Beatriz?... Ando esperando sua presença como espera os bilhetes da Sophia, aquela velha diarista que conheci um dia”. Esses dois pensamentos atravessaram quase automaticamente sua cabeça.
Chegou ao curso com quarenta minutos de atraso que se arrastaram por toda manhã, transformados em agitação e dor de cabeça. Pela hora do almoço ouviu o sinal de uma mensagem recebida em seu celular. Abriu com o habitual movimento mecânico com que tratamos informações dessa natureza. Só então percebeu que estava com o celular trocado, após ter lido surpreso o texto enviado: “adorei trab c/ vc. Como disse n nosso almoço d ontem pense nas coisas q podemos cont fazendo juntos. Bjs”
Apesar de todos e tantos detalhes narrados, a Sophia omitira que tinha almoçado com alguém ou que o tal projeto poderia ter desdobramentos pessoais no mínimo suspeitos. Mathieu que nunca foi de ataque de ciúmes corou de raiva. Seu primeiro impulso foi de ligar e pedir explicações, mas se sentiu melindrado pela invasão de privacidade, ainda que absolutamente fortuita.
Almoçou com grande aperto no coração e não conseguia se livrar de uma série de conjecturas sobre o que significava efetivamente as palavras lidas naquela mensagem. Deu as duas aulas do começo da tarde de modo arrastado e quase alheio, mendigando os minutos para ganhar o prêmio do fim do trabalho.
Praticamente se arrastou para a sala dos professores onde costumava dormir por duas horas cronometradas pelo despertador do celular quando não aproveitava as tardes para pesquisar. Só então, deitado no confortável sofá, exausto e confuso, pensou por último antes de ferrar no sono: “Beatriz faltou à aula hoje”.
Acordou sobressaltado sem saber quantas horas havia se passado. A sala encontrava-se parcialmente escura pela falta da luz acesa, o que acusava o final do dia e o início da noite. “Traído pelo celular novamente”, pensou enquanto por instinto sentava-se no sofá e fechava o zíper da calça. Foi quando reconheceu Beatriz sentada em sua frente. Vestia uma saia bastante curta que da forma com que propositalmente se encontrava, com as pernas mais espaçadas, deixava ver sua mínima peça íntima e uma igualmente provocante camiseta branca com detalhes em renda que marcavam sua silhueta.
Sem palavras a garota foi até o professor que ainda se encontrava sentado e sem ação e lhe roubou um longo beijo. Mais dois ou três beijos sucederam-se, nesta altura Marthieu já estava de pé abraçando Beatriz por trás e beijando-lhe a nuca. Os braços da garota enlaçavam seu pescoço, foi quando levantando sua blusa para acariciar sua barriga Mathieu pode ver parte de uma das tatuagens mencionada antes como escondida e acessível apenas para escolhidos.
Um barulho que se aproximava de onde estavam obrigou professor e aluna se desgrudarem, acender rapidamente a luz e coloca-los em lados opostos de uma mesa a fingir que falavam de Filosofia. Beatriz parecia tão serena e parcialmente satisfeita que não deixava Mathieu esquecer da sagaz e dissimulada Capitu machadiana.
- Então obrigado professor, e lembre-se que ainda tenho muitas dúvidas. Na verdade elas apenas começaram a ser debeladas! Falava segura da porta da sala enquanto a “tia da limpeza” entrava para terminar seu trabalho.
Marthieu visivelmente desconcertado foi ao banheiro lavar o rosto enquanto dava-se tempo para recompor sua sanidade. Minutos depois atravessou a sala com um “boa noite” protocolar e se encaminhou ao estacionamento.
Não conseguiu identificar o grande vulto negro que atravessou seu caminho. Tentava – em vão – transformar de súbito a distração dos devaneios em reflexo, a essa altura, depois do estrondo, já havia rodado na estrada molhada e batido violentamente no meio-fio do acostamento. Depois era uma confusão de buzina disparada com o rádio alto e a chuva que vazava pelo vidro estilhaçado. Mathieu saiu do carro com muito custo, andou trôpego alguns passos e percebeu um belo pastor negro acabado como seu carro. “Amo cães”, fora uma das poucas coisas que conseguiu pensar nos breves segundos do acidente. Em seguida percebeu que descia algo quente pelo seu rosto que conflitava com a fria água da chuva. Examinando melhor percebeu que sangrava muito, foi quando perdeu as forças e desmaiou no acostamento, próximo ao cão que jazia em pedaços.
Mathieu visivelmente desconcertado foi ao banheiro lavar o rosto enquanto dava-se tempo para recompor sua sanidade. Minutos depois atravessou a sala com um “boa noite” protocolar e se encaminhou ao estacionamento.
Não conseguiu identificar o grande vulto negro que atravessou seu caminho. Tentava – em vão – transformar de súbito a distração dos devaneios em reflexo, a essa altura, depois do estrondo, já havia rodado na estrada molhada e batido violentamente no meio-fio do acostamento. Depois era uma confusão de buzina disparada com o rádio alto e a chuva que vazava pelo vidro estilhaçado. Mathieu saiu do carro com muito custo, andou trôpego alguns passos e percebeu um belo pastor negro acabado como seu carro. “Amo cães”, fora uma das poucas coisas que conseguiu pensar nos breves segundos do acidente. Em seguida percebeu que descia algo quente pelo seu rosto que conflitava com a fria água da chuva. Examinando melhor percebeu que sangrava muito, foi quando perdeu as forças e desmaiou no acostamento, próximo ao cão que jazia em pedaços.
“Como será que vai ser hoje com a Beatriz?... Ando esperando sua presença como espera os bilhetes da Sophia, aquela velha diarista que conheci um dia”. Esses dois pensamentos atravessaram quase automaticamente sua cabeça.
Chegou ao curso com quarenta minutos de atraso que se arrastaram por toda manhã, transformados em agitação e dor de cabeça. Pela hora do almoço ouviu o sinal de uma mensagem recebida em seu celular. Abriu com o habitual movimento mecânico com que tratamos informações dessa natureza. Só então percebeu que estava com o celular trocado, após ter lido surpreso o texto enviado: “adorei trab c/ vc. Como disse n nosso almoço d ontem pense nas coisas q podemos cont fazendo juntos. Bjs”
Apesar de todos e tantos detalhes narrados, a Sophia omitira que tinha almoçado com alguém ou que o tal projeto poderia ter desdobramentos pessoais no mínimo suspeitos. Mathieu que nunca foi de ataque de ciúmes corou de raiva. Seu primeiro impulso foi de ligar e pedir explicações, mas se sentiu melindrado pela invasão de privacidade, ainda que absolutamente fortuita.
Almoçou com grande aperto no coração e não conseguia se livrar de uma série de conjecturas sobre o que significava efetivamente as palavras lidas naquela mensagem. Deu as duas aulas do começo da tarde de modo arrastado e quase alheio, mendigando os minutos para ganhar o prêmio do fim do trabalho.
Praticamente se arrastou para a sala dos professores onde costumava dormir por duas horas cronometradas pelo despertador do celular quando não aproveitava as tardes para pesquisar. Só então, deitado no confortável sofá, exausto e confuso, pensou por último antes de ferrar no sono: “Beatriz faltou à aula hoje”.
Acordou sobressaltado sem saber quantas horas havia se passado. A sala encontrava-se parcialmente escura pela falta da luz acesa, o que acusava o final do dia e o início da noite. “Traído pelo celular novamente”, pensou enquanto por instinto sentava-se no sofá e fechava o zíper da calça. Foi quando reconheceu Beatriz sentada em sua frente. Vestia uma saia bastante curta que da forma com que propositalmente se encontrava, com as pernas mais espaçadas, deixava ver sua mínima peça íntima e uma igualmente provocante camiseta branca com detalhes em renda que marcavam sua silhueta.
Sem palavras a garota foi até o professor que ainda se encontrava sentado e sem ação e lhe roubou um longo beijo. Mais dois ou três beijos sucederam-se, nesta altura Marthieu já estava de pé abraçando Beatriz por trás e beijando-lhe a nuca. Os braços da garota enlaçavam seu pescoço, foi quando levantando sua blusa para acariciar sua barriga Mathieu pode ver parte de uma das tatuagens mencionada antes como escondida e acessível apenas para escolhidos.
Um barulho que se aproximava de onde estavam obrigou professor e aluna se desgrudarem, acender rapidamente a luz e coloca-los em lados opostos de uma mesa a fingir que falavam de Filosofia. Beatriz parecia tão serena e parcialmente satisfeita que não deixava Mathieu esquecer da sagaz e dissimulada Capitu machadiana.
- Então obrigado professor, e lembre-se que ainda tenho muitas dúvidas. Na verdade elas apenas começaram a ser debeladas! Falava segura da porta da sala enquanto a “tia da limpeza” entrava para terminar seu trabalho.
Marthieu visivelmente desconcertado foi ao banheiro lavar o rosto enquanto dava-se tempo para recompor sua sanidade. Minutos depois atravessou a sala com um “boa noite” protocolar e se encaminhou ao estacionamento.
Não conseguiu identificar o grande vulto negro que atravessou seu caminho. Tentava – em vão – transformar de súbito a distração dos devaneios em reflexo, a essa altura, depois do estrondo, já havia rodado na estrada molhada e batido violentamente no meio-fio do acostamento. Depois era uma confusão de buzina disparada com o rádio alto e a chuva que vazava pelo vidro estilhaçado. Mathieu saiu do carro com muito custo, andou trôpego alguns passos e percebeu um belo pastor negro acabado como seu carro. “Amo cães”, fora uma das poucas coisas que conseguiu pensar nos breves segundos do acidente. Em seguida percebeu que descia algo quente pelo seu rosto que conflitava com a fria água da chuva. Examinando melhor percebeu que sangrava muito, foi quando perdeu as forças e desmaiou no acostamento, próximo ao cão que jazia em pedaços.
Mathieu visivelmente desconcertado foi ao banheiro lavar o rosto enquanto dava-se tempo para recompor sua sanidade. Minutos depois atravessou a sala com um “boa noite” protocolar e se encaminhou ao estacionamento.
Não conseguiu identificar o grande vulto negro que atravessou seu caminho. Tentava – em vão – transformar de súbito a distração dos devaneios em reflexo, a essa altura, depois do estrondo, já havia rodado na estrada molhada e batido violentamente no meio-fio do acostamento. Depois era uma confusão de buzina disparada com o rádio alto e a chuva que vazava pelo vidro estilhaçado. Mathieu saiu do carro com muito custo, andou trôpego alguns passos e percebeu um belo pastor negro acabado como seu carro. “Amo cães”, fora uma das poucas coisas que conseguiu pensar nos breves segundos do acidente. Em seguida percebeu que descia algo quente pelo seu rosto que conflitava com a fria água da chuva. Examinando melhor percebeu que sangrava muito, foi quando perdeu as forças e desmaiou no acostamento, próximo ao cão que jazia em pedaços.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Segundas de Literatura IV
Bem,
desta vez não é bem uma entrevista não, mas um vídeo de uma escritora de mão cheia.
Colunista do Trema Literatura, ela mostra ter uma disposição para pensar arte como nenhuma outra. É um daqueles fenômenos que conhecemos ao longo da vida, como Tati Carlotti, Eloise Porto, Amanda K.
Só vendo para conferir. É uma loucura só.
Só um outro escritor me deixou tão perplexo assim: Paulo Castro. Pugilistas literários.
Aproveitem,
Beatriz Bajo.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Sexta às nove (25)
Sua dose semanal de remédio musical.
"... não sabe a força que tem"
Djavan, senhoras e senhores. [e Calixto!]
Fala sério, o cara sabe fazer uma música de amor.
E a voz dele, rompendo o instrumental... "O que há dentro do meu coração" quase como mostrando tudo o que há no coração, forte, arrebatador, vindo de dentro das entranhas, agudo!
Mas minha parte favorita é:
"Aqui ou n'outro lugar
que pode ser feio ou bonito
se nós estivermos juntos
haverá um céu azul"
Djavan participou muito da minha iniciação na MPB. Quando lutava para conquistar aquela que hoje encarna a poesia na minha vida. Foram muitas músicas. =]
Foi bom ter lembrado desse Alagoano de Maceió.
Aproveite.
"... não sabe a força que tem"
Djavan, senhoras e senhores. [e Calixto!]
Fala sério, o cara sabe fazer uma música de amor.
E a voz dele, rompendo o instrumental... "O que há dentro do meu coração" quase como mostrando tudo o que há no coração, forte, arrebatador, vindo de dentro das entranhas, agudo!
Mas minha parte favorita é:
"Aqui ou n'outro lugar
que pode ser feio ou bonito
se nós estivermos juntos
haverá um céu azul"
Djavan participou muito da minha iniciação na MPB. Quando lutava para conquistar aquela que hoje encarna a poesia na minha vida. Foram muitas músicas. =]
Foi bom ter lembrado desse Alagoano de Maceió.
Aproveite.
Viva (o) Cazuza
Existem programas, poucos na verdade, que fogem ao “padrão global” (aquele mesmo do Faustão, Galvão Bueno e do J.N). O caso raro da vez foi o especial sobre a vida e a obra do Cazuza: uma das figuras mais marcantes e brilhantes de uma geração de boa safra.
O cantor foi mostrado de modo quase integral (mais uma vez o tal “padrão global”) e com depoimentos emocionados de pessoas igualmente admiráveis como o Frejat e o Bial, que contou uma história hilária – que por sinal ele vive contando – de um encontro entre ele, o Cazuza e o Vinícius de Moraes, que apresentou para os menininhos algo, que para o poetinha, seria quase tão bom quanto mulher: o whisky. Embora, como sabemos, o menininho Cazuza só aprendeu 50% da lição do “Tio Vinícius”! Escrevo isso apenas para ilustração estatística, uma vez que gostar de whisky, de mulher ou dos dois – que por acaso é o meu caso – não tem implicação nenhuma!
Cazuza era uma mistura explosiva de Baudelaire na atitude e no desalinho, Rimbaud na profundidade e Cartola no drama. Personagem inquieto e ávido por propagandear uma “nova era” no nosso país, que recém-saído de uma lamentável e maldita ditadura militar, tentava mais uma vez se achar.
Qualificado várias vezes (como mesmo lembrou em uma de suas canções) de “bicha”, “maconheiro” e “playboy” sua breve e irresistível trajetória para mim é belo exemplo SIM de criatividade e produtividade, da coragem de assumir o que somos, da desnecessária hipocrisia de se negar o berço (seja ele qual for). Aliás, minha maior lástima acerca da perda de gente como o Cazuza em nosso cenário musical é que para um Cazuza que morre nascem dez Latinos ...
“… Vamos pedir piedade / Senhor piedade ...”!
O cantor foi mostrado de modo quase integral (mais uma vez o tal “padrão global”) e com depoimentos emocionados de pessoas igualmente admiráveis como o Frejat e o Bial, que contou uma história hilária – que por sinal ele vive contando – de um encontro entre ele, o Cazuza e o Vinícius de Moraes, que apresentou para os menininhos algo, que para o poetinha, seria quase tão bom quanto mulher: o whisky. Embora, como sabemos, o menininho Cazuza só aprendeu 50% da lição do “Tio Vinícius”! Escrevo isso apenas para ilustração estatística, uma vez que gostar de whisky, de mulher ou dos dois – que por acaso é o meu caso – não tem implicação nenhuma!
Cazuza era uma mistura explosiva de Baudelaire na atitude e no desalinho, Rimbaud na profundidade e Cartola no drama. Personagem inquieto e ávido por propagandear uma “nova era” no nosso país, que recém-saído de uma lamentável e maldita ditadura militar, tentava mais uma vez se achar.
Qualificado várias vezes (como mesmo lembrou em uma de suas canções) de “bicha”, “maconheiro” e “playboy” sua breve e irresistível trajetória para mim é belo exemplo SIM de criatividade e produtividade, da coragem de assumir o que somos, da desnecessária hipocrisia de se negar o berço (seja ele qual for). Aliás, minha maior lástima acerca da perda de gente como o Cazuza em nosso cenário musical é que para um Cazuza que morre nascem dez Latinos ...
“… Vamos pedir piedade / Senhor piedade ...”!
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Segundas de Literatura III
Marcelino Freire
Esse também é da série, Grandes Escritores Contemporâneos - e que conheci em São Paulo.
Por Marcelino eu tenho um apreço. Ele foi quem abriu portas para um grupo de jovens metidos a besta para divulgar literatura em outros ares tupiniquins.
No meio da noite, caímos em um sambão em plena São Paulo. Para minha surpresa, havia mais do que qualidade no sambão, havia gentes pensantes em excesso. Uma noite inesquecível acompanhados de Claudinei Vieira - outro que lançou um bom livro a pouco - disse-me um amigo, eu ainda não tive a chance de ler.
A única coisa que sei mesmo, além de bom escritor, por onde ele passa há pessoas rindo. Ele traduz uma felicidade elegante e doce. É ótimo para se escutar e conversar. Ler é um prazer para lá de imensurável.
Aproveitem-no
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