domingo, 27 de novembro de 2011

A opressão dos comentários.


  Está aí a ditadura da era moderna. Aquela que é comandada pelas forças invisíveis dos novos valores sociais, organizacionais, da nova maneira de se dispor no mundo. E para aquele que tem um blog, um site, ou qualquer outra forma de exposição ao mundo virtual, lá está ele como um link demoníaco que faz sofrer, oprimir, questionar, medir, avaliar, enfim, deixar exposto, ou como um troféu social, ou como um maldito declarante de inutilidade.
   Esse é o papel dos comentários. Quem se expõe à rede sabe do que estou falando. Uma das formas mais fáceis de medir a qualidade do que demonstra é através deles. Os comentários estão aí como uma forma de medição, de percepção, como um ibope velado e maldito do que você coloca por aí. E é horrível ficar à expectativa de que algum apareça, de que lá embaixo o que está em Zero, chegue a pelo menos Um, Dois, ou quem sabe, Doze. Para blogs comuns, sem grandes apelos e com público restrito como este em que escrevo, chegar a sete comentários já é a glória, passar de uma dezena é o sucesso inimaginável. Impensável é um dia chegar a trinta, quarenta, ou até uma centena como acontece com os sites de grande popularidade. Mas se medir pela quantidade de acesso e dividir pela quantidade de comentários, verá que quanto maior o sucesso, menor é o retorno, em porcentuais.
   Durante muito tempo eu me mentia. Dizia que o que publicava apenas não era digno de comentário, que poucos ou até mesmo nenhum iria se dispor às vezes a comentar, ficaria no anonimato da opinião, não esganiçaria uma possibilidade de conversação, de conselho, não só de retorno, mas de um bom bate papo. Esse é o papel dos comentários que vejo acontecer nesse blog. Além de virem de pessoas próximas, não vêm só pra elogiar ou criticar, mas sim para ampliar, aumentar o que está exposto. Em sites de grande retorno, os comentários – ou melhor, o seu espaço – são destinados a elogios ou autopromoções, gente que faz propaganda de si mesma ou de seus preconceitos. Graças a Deus, essas pessoas aqui não vêm. Mas não vou mais mentir, é tão bom quando se vê apenas um só, um que seja, ali embaixo, como um troféu de consolo ou como o troféu, campeonato entre Eu, Eu Mesmo e Irene, e mais ninguém, aquela rusga de si contra si, esperando resultado positivo.
  No intuito de medir, uma vez, usei do discurso do professor desmotivado e criei um poema extremamente violento em homenagem ao dia dos professores. Joguei-o aqui no site, na minha coluna do Trema e no Recanto das Letras. Aliás, como é fácil encontrar egocentrismos em pedestal de gesso neste site.  Não nego que o poema não traduz a minha constância com o universo da sala de aula, não me ponho como um frustrado que se vê incapacitado de dar aula, por causa do marasmo e da inanição intelectual dos meus alunos. Não nego, também, que dar aula no município me requer um esforço dobrado, primeiro para contê-los – algo que nunca imaginei passar em sala de aula – e segundo para conseguir dar a aula, mostrar que o conhecimento é válido, tal tal tal. Aqui, por ter um público de origem religiosa, sei que choquei. No Trema, os comentários foram para lá de efusivos; no Recanto, alguns até se dispuseram a ler, outros a rezar por mim, ou seja, a fonte do público leu da maneira que bem entendesse, Mas em nenhum em cheguei ao resultado que esperava.
  Porém, dizer-me que não me ponho atrás de que um comentário venha, é pura mentira minha. Seria até leviano, mesquinho, me colocar num pedestal qualquer dizendo que não me contorço quando não vem e fico à espreita da espera. Acho que todos são assim. Estou, por fim, à espera do que vocês pensam. Está aberta a temporada de observação da quantidade de comentários que esse texto vai surtir. Vamos ver! Beijos a todos. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dimensão


Agora a pouco, minha esposa, Você não precisa ser ciumento assim, por isso te conto tudo, e fiquei pensando, sou mesmo ciumento?
Digo, sou sim. Mas por ser introspectivo, caladão quando posso, nunca fui de externar e foi com as palavras dela que cheguei à mesma conclusão. Sou um ciumento convicto, capaz agora de poder afirmar que este traço de minha personalidade está aqui, bem diante de mim, dedo em riste, Você o é, Sim, o sou, por que não?
O ciúme é a porta aberta para a doença, para a convicção da incapacidade de autocontrole, para a clarividência das fraquezas, para o argumento incrédulo, para a irracional demonstração de necessidade de preenchimento. O ciumento é um eterno carente, que na proximidade da completude, da carência em extinção, se desespera, se pronuncia com medo, fica armado para uma batalha que não existe. Cria batalhas que o põem em xeque, Por que isso tudo?, ela diz, Porque te amo, quero te proteger desses que só pensam em te usar, digo, Você é assim com a outras?, Não, elas não me interessam, a única coisa que me vale é você, mas aí já está a discussão, ela se cala com o medo de um dia você pensar em cometer crimes passionais, tão lindos nas estórias, tão inconsequente na realidade.
Você sabe que odeio armas, numa outra tentativa desesperada. Argumento, O meu problema é autoestima, você é muito gata, todos te querem, Mas eu não, e me vem a banda no dois pés, caio sentadinho sentadinho. Ela me estica a mão, me limpa, nenhuma poeira, por que será que me detém assim?
Meu ciúme é meu espelho, meu demonstrativo de humanidade. Não quero que ela pense que sou um doente derrotado nas mãos dela, mas que sou um eterno grato por tê-la comigo. Entenda, eu que nunca tive ciúme de ninguém, agora passo a tê-lo, será que isso não é bonito?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Rabisco


                Estive durante muito tempo pensando em voltar a escrever crônicas semanalmente. É possível? É, dentro do que se considera possível.  O problema se reside na maneira como terei que me dispor e abrir mão da certeza de que tenho ultimamente: o fim do meu primeiro romance.
                Sei que já andei escrevendo sobre ele aqui para o site. Alguns até dizem que ando me repetindo ao ser tão metalinguístico em minhas análises, atuando apenas para o campo das possibilidades de escrita do que para a escrita propriamente dita. Concordo, até certo ponto, porém não nego que gosto muito dessa realidade de escrever, da sensação que precede a escrita. Cresci, por bem, lendo autores que tinham como marca a sensação da descoberta da letra, e não da letra em si, afirmada e encontrada, casada em frases. Mas daquela se vem da percepção, do sentimento de encontro com tal. Vejo que a literatura não é o encontro; é a sensação de espera por tal. Sabe aquela expectativa antes do beijo – que em alguns casos é muito melhor do que o beijo. 
                Uma situação que me ocorre sempre é estar diante da tela, prompt piscando, exigindo, aí me vem os versos de Drummond, Passei uma hora / Pensando num verso / Que a pena não quer escrever/ Porém, ele está cá dentro / Inquieto, vivo / Ele está cá dentro/E não quer sair, e ainda digo que vem na voz de Belchior, que há algum tempo musicou trinta e um versos do mestre, cada versão mais primorosa do que a outra. Lindo. Lindos. A literatura é a sensação e venho-a curtindo tanto, mas tanto, que estou conseguindo escrever um romance.
                Acho que foi esse o problema com o primeiro. Epopeia Insignificante – que muitos podem acessá-lo aqui pelos marcadores do blog – me custou muito. A sensação de escrevê-lo partia mais da responsabilidade do que prazer. Algo que está diferente com esse atual, que resolvi guardar todos os detalhes para mim antes de mostrar a todos. Para alguns eu até já falei, mas não cheguei a descrevê-lo em seus pormenores, por um detalhe bem simples: eles não existem. O ritmo da escrita está se definindo por ele próprio, cada parágrafo não sabe que será parágrafo; cada linha não muito menos se conhece. Isso é que está sendo ótimo. Não tenho domínio sobre o texto, apesar de pensá-lo, imaginar até onde quero chegar, definir roteiro, literatice, mas para cada pensamento há algo mais vivo, maior. Num primeiro momento até pensei, Não sou capaz de escrever, pois tudo que penso se perde, essa entidade chamada Literatura não aceita o que quero, ela tem pena de mim, por isso escreve por mim, dessa maneira eu estou chegando a um livro. Esse foi o meu maior sonho durante muito tempo.
                Hoje o meu maior sonho e continuar escrevendo, ou estar diante da sensação da escrita. Às vezes, trânsito, penso num poema que nunca escreverei, mas lá está, sendo pensado, digerido, raciocínio, uma rima, vou tirar essa rima, e não anoto. Nada. Alguns até decoro e uso num texto ou outro, certo de que ele está entrando ali porque o texto quer, não imposição.
                Chego ao fim dessa crônica não pelo intuito de escrevê-la, mas porque assim ela quis. É só o ato do rabisco, mas sem papel, digitação. Um gosto eterno pelo prazer do pensamento.  

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dias Felizes

“Por que eu ainda insisto nessa p... de profissão” teria dito Chico Buarque a Caetano – ele que “é lindo” ... “ou não”, além de ser o rei do falsete – depois de ter desafinado um agudo num dueto. Pelo menos assim me havia contato um amigo querido quer também fora meu professor de Geografia...

Em dias como os de hoje é impossível não lembrar essa história e somar à outra de uma antiga ficante da faculdade que dizia que queria ser a Sheila do Caverna do Dragão e, por vezes, sumir com a providencial ajuda de uma capa – incrível como aprendemos e lembramos de mulheres enquanto somos importunados e elas põem à prova nossa sanidade.

Seja como for, eu devo ser daqueles tipinhos barrocos mesmo. Como alguém tão tímido e que quase sempre adoraria ser “uma mosquinha” ou também, como “as Sheilas”, ficar invisível busca tanto ser notado? Falar em público. Tocar para ser ouvido ... “onde fui amarrar minha égua?": pensamento preponderante de dias como os de hoje!

Fazer o que? Torcer para que dias felizes comecem com boas notícias. A de hoje foi linda. Cor-de-rosa! Dobrar a aposta (...”onde fui amarrar minha égua?” ... de novo!) e assumir minhas palavras e meus acordes.
Então, que eu tenha – e todos vocês também – dias felizes!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ÍNDICES DE DESCULPAS

Naquele momento não pensei em mais nada, e assim inicia-se esta história, pelo motivo incentivador de uma reflexão sobre o que me espera. As palavras já estavam ditas e nada poderia revertê-las. Nessa estrada não havia retorno. Quando elas estão guardadas são nossas escravas e podemos fazer delas o que quisermos, mas, quando são lançadas ao ar, nós somos rebaixados à escravidão e elas podem ser senhoras muito cruéis quando, ao serem elaboradas, burlam a etapa na qual o cérebro trabalha. 

Os sentimentos se embaralhavam e o meu peito diminuiu dois terços de seu tamanho, pois senti meu coração apertado, sufocado. Não porque estava com remorso, mas porque eu soube, naquele instante, que uma ferida havia sido aberta por mim, devido à minha irredutibilidade, à minha dificuldade em ouvir, à minha dificuldade em aceitar, à minha dificuldade em entender e à minha mania de achar que tudo pode se resolver em berros, que dessa forma serei ouvido. Aquilo que havia me transtornado já nem importava mais, pois a necessidade de estar certo levou-me a desvirtuar o assunto e a atribuir culpa a gestos completamente irrelevantes. Por isso comecei a falar, e falei até não dizer mais nada. Mesmo assim continuei falando. Mas já estava dito e eu era completamente incapaz de voltar atrás, de dizer que o que saiu da minha boca estava errado. Ou simplesmente não dizer mais nada e apenas desculpar-me. Não fui capaz.

Nada mais me deteria. Mesmo com aquela vontade louca de, simplesmente, abraçá-la fortemente, como se nada ao redor existisse e ela pudesse sentir que nos meus braços ela estaria segura, dizê-la o quanto eu a amo e beijá-la intensamente para mostrar o que realmente estava dentro de mim, nada foi feito. Eu me virei, simplesmente me virei e caminhei. Minutos se tornaram horas até o meu destino, pois eu sabia que, quando eu ouvisse sua voz novamente, algo estaria diferente, fora de seu eixo natural, como a Terra depois de um terremoto de escala máxima, provocado por palavras. A partir de então, um sentimento começou a ganhar a briga dentro de mim: a tristeza. Cruel tristeza! Lembrei-me de seu olhar. Aquele olhar desesperador. Por aquela janela pude ver que a alma dela estava despedaçada, e a rara falta de brilho neles trazia à superfície o estado em que eu a havia deixado. Lembrança aterrorizante.

Tentei desfazer, tentei justificar-me mais tarde, tentei tudo o que eu pude, mas nada me restava senão mostrar o resquício de humanidade que ainda estava em mim e fazer associações de símbolos fonéticos para criar signos que me levassem à remissão. Mas eu sei que palavras, mesmo que profundas e eloquentes, não resolveriam o vazio que senti por ter proporcionado a ela tristeza e ter feito as lágrimas escorrerem de seus olhos, pois seu coração sangrava. Sei, porém que é muito maior o que me espera, e mesmo que promessas pareçam suficientes, ainda serão pouco frente à vontade que tenho de guardá-la para sempre em mim. Minhas atitudes definem quem eu sou, e por ela quererei sempre ser o melhor que posso. Por isso minhas desculpas nunca serão completas. Mas já é um início.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sexta às Nove (62)

Tenho uma predileção por esta versão da obra de Puccini - Turandot - na voz de Pavarotti. Mesmo gostando muito do Caruso, mas Pavarotti é fenomenal, diria até genial.

Confiram!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

INCOMPLETO

Se algum dia eu disser ser o vento
Seja as folhas de uma tarde de outono
Se algum dia eu disser ser a lua
Seja o sol durante a noite
Se algum dia eu disser ser o céu
Seja o mar
E se algum dia eu disser ser o mar
Seja meu céu
Se algum dia eu disser ser a chuva
Venha me conter
Se por acaso eu não souber o que ser
Venha me socorrer
Se algum dia o que eu disser for mister
Não desista de me conhecer
Mas se algum dia eu disser ser o amor
Seja simplesmente você

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sexta às Nove (61)

No início dos anos 1960, falava-se muito de Ditadura. Como este é a publicação 61, um princípio de homenagem àquela época.

Clipe melhor não há. Cálice. Sei que quase todos conhecem a perspectiva cacofônica do título. Por isso, evitarei maiores explicações.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PROPÓSITO

Foi-se o tempo
De saber que o que sobra
Neste breve tempo
É nada, é sobra

Até que se descubra
O limiar de seus sentidos
E enfim se descubra
O escondido em um sentido.

Não é tão certo nem tão errado
Nem vivo nem morto
Nem perdido nem achado
O brilho de um rosto

Mas até que este apareça
A busca sempre deve existir
E mesmo em dias de incerteza
O segredo é persistir.

domingo, 11 de setembro de 2011

Concurso Público é aqui!


Eu, Márcio Calixto, e Celestino juntos num projeto revolucionário. Ensino à Distância com aulas reais em que o aluno interage com o professor. PREPARATÓRIO PARA CONCURSO PÚBLICO. Deem aquela conferida!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sexta às Nove (60)

Sexagésima semana publicando. Por isso, uma demonstração da pluralidade da música brasileira: a boa e velha música caipira, em sua essência mais pura. Em comemoração Às sessenta publicações, alguém que tem 60 anos de carreira, Diva Inezita Barroso.

Sempre gostei com muita peculiaridade deste tipo de música, principalmente a pantaneira, na voz de Almir Sater.  Mas aí vai Inezita.


domingo, 28 de agosto de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Para os amigos escritores!!!

Por que não deem aquela olhada?

Encontrei esse grupo e o achei maneiríssimo. Ainda mais, há um evento com o ilustre Antônio Torres dia 5 de Setembro. É só bisbilhotarem o site.

Aproveitem

www.agenciariff.com.br

É HORA DE SE PROGRAMAR

Estamos a menos de uma semana da BIENAL DO LIVRO DO RIO DE JANEIRO. É hora de começar a dar aquela olhada e ver do que gostamos, do que não gostamos. Quando vi Lourenço Mutarelli, Cristóvão Tezza e Luiz Rufatto como escritores confirmados, fiquei por demais feliz. E Tezza no dia 7 de setembro vai ser show!!!

Aqui seguem os links!!!

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao/cafe_literario

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao/encontro_com_autores

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao/conexao_jovem

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao/mulher_e_ponto

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao/livro_em_cena

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao_cultural/biblioteca_mirim

http://www.bienaldolivro.com.br/imprensa/autores/31

http://www.bienaldolivro.com.br/expor/livros

http://www.bienaldolivro.com.br/expor/livros (Aqui tem que olhar com calma, são setenta páginas só de lançamentos)

http://www.bienaldolivro.com.br/eventos (Aqui depois tem que clicar nas datas)

http://www.bienaldolivro.com.br/atividades_infantis (Aqui também)

http://www.bienaldolivro.com.br/imprensa/brasil/32 (Com participação de Dilma Roussef, a presidentA)

http://www.bienaldolivro.com.br/programacao_cultural/bienal_digital

APRECIEM SEM MODERAÇÃO!!!





sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sexta Às Nove (59)

Dias desses me perguntaram sobre a Tropicália. Depois de ter analisado o tradicional paralelo do movimento com as tendências artísticas do início do século XX, resolvo mostrar um pouco pela ótica televisiva. Vale a pena ver.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Segundas de Literatura XXXIV

O atual ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura é alguém de quem gosto muito, principalmente pela literatura de qualidade que produz. Eu o conheci em uma mesa de debates de literatura na época da UERJ-FFP, quando do grupo do Centro Acadêmico em que eu participava. Fui à sua casa, em Copacabana, e de lá até a UERJ - uma longa estrada - tivemos uma conversa muito gostosa sobre literatura, produção literária e a vida do escritor. E ele, muito solícito, me respondia nos contornos de sua timidez. Pena não termos mantido uma  continuidade.
Aqui segue RUBENS FIGUEIREDO.



Antes de mais nada, essa é uma palestra com três grandes críticos, que vale a pena ser explorado.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Simples(mente) desejo

Desejo que diante de erros e acertos,
Você seja justo e consiga pesar os prós e contras,
Para que erre apenas uma vez
E isso baste para que venham os bons resultados.
Mas sempre esperando um segundo erro,
Afinal, somos humanos.

E que diante dos segundos erros,
Você seja racional, já que é irremediável ser humano.
E que use a racionalidade a seu favor,
Nunca esquecendo que razão e fé se juntaram numa causa única.

Diante de problemas e soluções,
Seja forte o suficiente para superar as injustiças da vida,
E humilde, a ponto de assumi-las e encará-las de braços abertos,
Pronto sempre para os dois possíveis resultados:
A conquista ou a perda.

E diante de uma perda,
Você saiba que é impossível ganhar sempre,
Mas que não é impossível, nem muito menos derrota, tentar novamente.
Novas tentativas provam o quão persistente você é,
E persistência não é perda de tempo, é maturidade!

Diante do amor e do ódio,
Consiga viver intensamente a dor,
Para descobrir que um dia sofrendo
Faz dos outros 364 dias mais apaixonantes.
Dias mais apaixonados,
Mesmo que por si mesmo.

Que amor próprio não é egoísmo, é elevação.
É ter uma alma superior,
Capaz de ajudar o próximo
Pelo simples fato de você saber o conceito de respeito.

E que calma e impaciência são virtudes,
E virtudes não são posses, não são produtos,
Você nasce com elas e as leva por toda sua vida,
Por isso, não as esqueça, não as apague.
Use-as hoje, amanha e sempre.
A virtude é uma das maiores qualidades do homem.

Que diante da raiva,
Você seja covarde. Sim, covarde!
Esqueça todos os desaforos, e pense,
Pense que palavras ditas não se apagam jamais,
E por isso devem ser ponderadas.
Jamais diga que odeia.
Pessoas não merecem ser odiadas.
Merecem ser desculpadas.

E por fim, se estiver diante da morte,
Espero que você saiba que ainda está vivo,
E que angústia e medo são sentimentos carnais,
E pelo simples fato de existirem,
Provam que a vida ainda não se foi.
E quando ela se for (porque irá),
Estes não estarão mais presentes,
Não em você, mas em quem ficou para trás.

Cante e pule,
A vida não é feita de substantivos, e sim de verbos.

Invente, inove,
Crie condições e melhore sempre.
Mude e mude pra melhor.
Mas pense que um passo atrás
Nem sempre significa derrota,
Significa humildade,
Reconhecimento.

Desculpe,
Àqueles que erraram.
Mas principalmente, a si próprio.

Ame, viva,
Seja feliz nos seus erros e acertos.

E no final de tudo, seja...
Seja o que você quiser,
Sem esquecer quem você realmente é e quem pode ser.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sexta às nove (58)

Há certas músicas por que tenho verdadeiro apreço.  Uma delas é esse tipo que aqui segue.



Apreciem!

Experiência Continuada

              Para quem não sabe, entro todo santo dia aqui no Pictorescos. Tanto na esperança de saber como anda o filho pródigo, quanto também para ver as publicações que aqui entram. E sei, concordo até, o pouco que tenho escrito para cá não se dá na ideia de que não há mais nada a ser escrito, não há mais nada a ser publicado – a não ser, claro, as publicações burocráticas que tenho mantido, que podem até cansar o sítio. Mas o fato é que, pela premissa de escrever todo santo dia, tenho me respaldado a fazer apenas a escrita de uma única coisa: o meu romance.
            Já havia escrito para cá sobre esta experiência, de suas angústias, dos excessos de pensamento, do lado crítico que nega a obra, da vontade que se faz retornar, mas este texto, pelo título que aqui lhe dei, acaba sendo autoexplicativo. Estou num processo ambicioso de fazer terminar o que julgo estar em processo de conquista. Percebeu a quantidade de abstrações? De um conto – que me são tão comuns – a um romance – que sempre fora a minha ambição, o caminho está sendo árduo, vertiginoso, mas estou a fazê-lo. Ainda um pouco alheio ao processo de qualidade – que farei acontecer ao final do trabalho – estou escrevendo com a mesura de estar fazendo um romance, de sair da singularidade e expressividade de um conto para se chegar a um, que assim julgo o texto.
            Sou daqueles – não nego – que o considero um produto maior, um modelo maior, um totem. Elevo-o como a um Deus, um ser mítico possível de ser conhecido, de ser identificado como Deus. Vejo, na verdade, que o texto em prosa tem esse fascínio sobre mim – apesar do meu absoluto gosto pela poesia, pelo ritmo, pela letrificação, pela singularidade e coesão – a prosa me é a musa que me deixa bailar para seu encontro.
            E engraçado, julgo estar conquistando o espaço desta. Uma vez, em uma discussão, veio uma amiga afirmando que não precisa de certas conquistas para se ver como escritora. Eu, em minha aniquilação constante, disse-me a mim mesmo que eu tinha tais necessidades. Eu sou daqueles de beijar de olhos abertos, para ter certeza da conquista, de que aquilo é real. Faço tal até hoje com minha esposa, ainda não acredito que a tenho como esposa. Talvez seja por isso o meu fascínio pela prosa, gostava de ficar bajulando o livro depois de tê-lo lido. Rodava-o em minhas mãos, vendo capa, costura – ou cola – o desenho, a orelha, imaginava como seria um livro meu. Tive isso, pela primeira vez, quando li, ainda muito garoto, Raul da Ferrugem Azul. Como aquele livro fora importante, poder desenhar com letras as possibilidades das cores, as cores que alguns viam e outros não. Crucial para vencer a minha frustração com o desenho que mal saía – e as cores que passei a não colocar, só desenhava com o lápis – a escrita foi sempre a possibilidade de poder desenhar na exatidão do outro, e não na minha.
            E agora, saber que o escrito não é só um conto, uma folha, um desenho do texto sonhado, mas o texto em si, a prosa, o longevo do quadro romanesco, para mim está sendo a glória o gosto e a descoberta. E sim, só me sentirei completo o dia em que pegá-lo nas mãos, pós-editora, pós-todas as análises, e ali poder me dizer, agora sou escritor, pois tenho um livro com o meu nome e minha prosa, ali sim me sentirei completo, me chamarei escritor. Desculpa, sou daqueles que precisam apalpar para acreditar. Sou esteta e estético, preocupado com o viço e o vício. E meu vício de tocar a minha minúcia me faz ser um pouco distante – não indiferente – àquilo que é de minha geração, ser escritor da internet, da geração que venceu a ditadura das editoras. Mas dou meu braço a torcer, ainda as desejo, quero que julguem o que escrevi, que me sejam sinceros, sem aquelas mesuras da elegância e etiqueta. Consigo suportar a ideia de que está uma bela bosta, pois o que quero é produzir literatura. E nesse ato tornar-me um fordista cotidiano. Já o estou assim. Quando não escrevo aqui na máquina – minha Olivetti tem tela e programa – fico matutando e maturando na memória, salvaguardando na lembrança de que aquela frase está aqui, que a pena quer escrevê-la – ou digitá-la – só que naquele bendito dia não foi possível ir à máquina. Escrevo mais pensando do que na máquina, mas quando a ela me posto, como o dedo corre. Essa sensação é outra glória.
            No meu atual romance – outros três foram abandonados – terceiro capítulo, texto em fluência, aspectos novos, nunca traçados, nem em treinos, nem por outras perspectivas e exercícios – me propunha exercícios costumeiros – o texto se eleva, ele quer se sair. E como entidade, deixo-o me conduzir, não lhe sou freio, não lhe entrego preocupações. Mas para escrever, preciso ler a página anterior toda, às vezes o capítulo, saio dele como se desligasse, a entidade não deixa lembranças do que estava antes, mas de mim se apodera no momento da leitura, ali sou o um que escreve, que desenha, sem ponderações de hierarquias. É bom saber que estou conseguindo escrever. E é um romance.
            Não me delongarei. A vontade de retornar àquele texto está se fazendo premissa de novo. Por isso, o pedido, os que me cobram, que me cobrem, continuem, gosto da cobrança, movo-me por elas, sim, preciso de vocês sempre. Daqueles que comigo escrevem, daqueles que me pedem o escrito, mas saibam, não é abandono, sinto que agora é a minha chance. E ela está mais forte do que nunca. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Segundas de Literatura XXXIII

Esse é um dos grandes atuais nomes da literatura!!!

Por tudo que representa, por isso está aqui!

CHARLES KIEFER



Aproveitem e muito!!!

domingo, 17 de julho de 2011

No lado escuro da Lua

(letra: Márcio Fernando Santiago Calixto) 

No lado escuro da lua 
É onde tudo se escuta 
Sussurros, suspiros, alívios, dores, angústia, medos, cinismos, religiões, rezas, quereres, chamamentos do apaixonado, o aperto, a apelo, o afago, o significado do que se tem por dentro, o vento, o relento se esconde e se faz 
É de lá que se traz 
O sangue que bate no meu peito 
E o que eu sinto do lado esquerdo 
Eu aperto com os dedos do direito 
É o que eu quero 
A dor alivia o sofrimento 
E há tanto tempo faz 
Que pra cá passei 
No lado escuro da lua 
Eu estarei a te esperar 
Meu corpo aí ficou 
Sei que a dor ainda não passou 
Mas do que adiantou chorar, xingar, falar, exclamar, reclamar, implorar, querer e não poder Ter 
Lembra do que te falei 
O lugarzinho que Deus reservou 
Aqui estou 
No lado escuro da lua 
Nossa luz vai brilhar pras estrelas 
Verem e quererem 
Como nós brilharem 
E ensine a nossos filhos 
Que assim que forem chamados, exclamados, conclamados
Venham nos encontrar 
No lado escuro da lua 

Aos professores amigos

Consegui o link com um arquivo excel mostrando a relação dos concursados esperando e já convocados pelo último concurso do Estado do Rio de Janeiro.

O arquivo é enorme, mas vale a pena dar aquela conferida.

Um beijo

http://www.educacao.rj.gov.br/concursos/2009/Concurso2009.pdf

Por que não? (ou uma dose pra Domingo)

Eu sempre considerei a música do jogo Mario Bros um clássico.

Vejam que não sou só eu.











Gosto muito dessa peça em um teatro escolar!!!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

I know it's only rock and roll but I like it

Mais um dia mundial do Rock e maus uma – nesta caso, humilde – homenagem a esse ritmo e atitude que mudou e muda, irresistível e vigorosamente, a vida de tantas juventudes há décadas.

No meu caso, posso precisar com exatidão cartesiana quando despertei para esse som que, posso dizer sem o menor pudor, foi e é um dos grandes componentes de minha personalidade, crenças e perspectivas de ver o mundo: foi quando ouvi pela primeira terceira vez Phanton of Opera do Iron Maiden, para ter conversa com um novo (agora velho e bom) amigo quanto estava no I Ano do Ensino Médio. Aliás, na minha trajetória, Rock N’ Roll e amizade sempre foram grandes pontos de convergência, congruência e incongruência (para aqueles que entenderam o trocadilho...)

Seja como for, o bom e velho rock talvez seja o ritmo musical mais metalinquístico – creio, até mais que a bossa-nova... se isso for possível. “Mas afinal o que rock n’ roll, os óculos do John ou o olhar do Paul?” Pergunta o roqueiro – e encrenqueiro – Humberto Gessinger. Pergunta que podemos multiplicar ao infinito: Seria a guitarra inflamada (literal e metaforicamente) do Hendrix? A marra pra lá de forçada do Liam Gallagher (Osis)? Os vestidinhos pretos indefectíveis da Amy Lee e da Pitty? A boina à La Lênin do Bono Vox?

Quantos moleques não deliraram, gritaram uma revolta ou paranóia, beijaram na boca, sonharam estar “do outro lado do palco”, de qualquer palco? Falamos de bandas como de times de futebol ou de partidos políticos (embora estes andam cada vez mais iguais, infelizmente). E, uma vez mais, vamos levantar os copos; refazer refrões fáceis e a boa “fórmula” Tonica/terça/quinta – com algum fraseado, afinal, por que não aparecer? – É isso e como já sabiam os Stones: “é apenas rock n’ roll mas eu gosto”

domingo, 10 de julho de 2011

Por que não? (ou uma dose pra Domingo)

eXPERIMENTAlisMO DE márcio-ANDRé





(Agora, entre a gente, se o que ele faz no segundo vídeo fosse num Stradivarius, alguém fazia uma besteira!)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sexta às nove (57)

Durante muito tempo, na época de comando de Cerestino, essa coluna mostrava vertentes da MPB. Agora que ando escolhendo detalhes mais efusivos aqui, digo que darei uma mudançazinha, colocando algumas músicas de gosto pessoal, muito pessoal mesmo.

Apresento a alguns o DREAM THEATER.

Pai do heavy metal progressivo mais atual, com músicas longas e muitíssimo bem orquestradas, essa banda detém a minha eterna admiração em função da total competência de seus músicos. Dois me chamam muito a atenção, Mike Portnoy - baterista - que recentemente se fatigou e saiu da banda (tocou recentemente no Avenged Sevenfold) e James Labrie, o vocalista, dono de uma voz potentíssima, afinada ao extremo, capaz de atingir notas agudas e mantê-las por um fôlego também invejável.

Uma música de que gosto especialmente é a OCTAVARIUM - apesar de minha predileção por três álbuns,que não o próprio Octavarium. Images and Words, Metropolis ptII e Falling into Infinity.



Ah, para quem não conhece, saiba, a música tem 28 minutos, que valem a pena ser conferidos. No caso desse vídeo, o que há é o som original, jogado no youtube. Se quiserem, há os vídeos dos shows, que não têm a mesma qualidade do som, mas valem pela demonstração das capacidades dos músicos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Segundas de Literatura XXXII

Eu adoro intertextualidades.

Principalmente dessas que desbravam coragens. Colocar-se como intertexto paralelo a Machado é para poucos. Por isso está aqui. Coragem para escrever. Coragem para dizer.

ESCRITOR: SÉRGIO CLEMENTE!

domingo, 3 de julho de 2011

Por que não? (ou uma dose pra Domingo)

Olha que lindo!!! Adoro a pluralidade da internet, Adoro as possibilidades da Literatura!

 

Drummond em várias línguas - em particular gostei do Tupi e da vivacidade no Espanhol.



Uma interpretação para lá de gostosa!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Você pauta sua vida pelo amor ou pelo medo?

Tem alguns virais do youtube que chegam a ser interessantes. Esse que encontrei é uma gracinha. Uma gracinha mesmo. Vale a pena vê-lo e se deixar levar pela leve epifania que lhe é apraz.

Deem uma conferida.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Segundas de Literatura XXXI

Ricardo Lísias, e seu livro O LIVRO DOS MANDARINS, vencedor do COPA BRASILEIRA DE LITERATURA.

Uma senhora obra - sob o júdice externo, tenho que afirmar - mas a temática e a crítica o aceitou muito bem.

Deem uma boa olhada e pensada aqui.

Um beijo a todos.

sábado, 25 de junho de 2011

Pra não cair no esquecimento

Parou o carro, foi até a margem da ponte e saltou. Fez questão, antes, de ligar o pisca-alerta, parar um pouquinho depois da câmera, subir no parapeito e o resto é história. Conseguiu, porém, nas lentidões necessárias de um salto, mandar mensagem para cada um de seus amados. Com o celular em mãos, deu um tchau para a câmera. Ali se fez passado.

“Tá sendo ótimo pular, seguir ao nada, sentir a proximidade da morte. Todos sabem que nunca tive medo dela, que me fascinava, queria conhecê-la. Depois de agora, de tudo que me aconteceu, por que não morrer? Mando essa mensagem para todos vocês. Bem capaz de quando ela chegar, eu já estarei no fundo do mar, navegando, dormindo nas profundezas do último Morfeu. Só tenho a dizer que amo a todos. Invariavelmente. Me jogo, pois me sinto completo. Me mato, pois de mais nada eu preciso. Tive vocês tão próximos, em todos os momentos. Agora, preciso só da lembrança. Gostaria de que um dia tentassem o mesmo que eu, é belo. É lindo. Não é o mesmo que andar de moto. Nem chega perto da sensação de pular de para-quedas. É ótimo ter a sensação da certeza. A aproximação da água assusta um pouco. Mas o prazer de um novo nascimento é indescritível. Espero encontrá-los mais cedo ou mais tarde. Espero até que mais cedo do que tarde. Torço por todos. Um beijo. M...”

    E muitos ainda esperam encontrar-lhe o corpo, sumido no mergulho desta incauta liberdade. 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sexta às nove (56)

Perdoe-me Cerestino,
mas publicarei às nove da manhã.

Motivo: por ser sexta-feira, à noite ninguém quer ler nada,

e sim escutar.

E dessa vez, do baterista da minha banda recebi um link:
"Calixto, entra nesse tom, entra nesse tom!"
Olhem que vivacidade!

domingo, 19 de junho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

Carta ao Homem de Opinião Volátil

O dia de um mais tudo, não no mundo mais quanto, e o quanto de ti tu foi a mim, meu pai. Meu reflexo de exemplo e na mais pura aurora, caminho pra um necessitado. És a fome e a raiva, a pureza e a podridão, naquilo que é tão tudo e ao mesmo tempo tão nada. Havia anos em que pensava escrever algo para ti. Assim tão direcionado e tão diretamente óbvio. Esta não é uma parte recife da escolha de palavras para compor capítulo mero de estória mais ampla. Isto aqui é recife seu. E sua é um tanto quanto de mais a ti que lhe escorre no mundo a culpa dos erros alheios. Tornaste homem martírio, sibilo martírio, de algo que acha ser bonito: aceitar a culpa, que não se vê, como maneira de manter pilar de família. Mas quando os muros que perseguiste vir em pé são apenas pó, é hora de perguntar ao que meramente é.


     Ainda não percebeste o quanto é mutante de tanto. Na tentativa de se esquivar de críticas, tornou-se um poço de sorrisos. Mas sua profundidade é tão curta que fica instável qualquer confiança depositada. E se sua seria sabida a palavra mal dividida, não é em ti que irei me espelhar pra compor-me homem. Sei o quanto um dia será difícil ler isso, mas quando me encontrar nessas palavras, talvez seja tarde a mim minha vinda. Sou venda, apenas olho diante demais. E com a faixa mais escura que pude encontrar, para não ver o quanto da tua carne se esfacela na dúbia aurora que te surge ao acordar, distante diante, um segundo tanto intocável. 
     Desnecessário é se criar uma redoma. O vidraceiro, quando a cria, usa do próprio sopro, da própria capacidade de respiração. Para se compor perfeita redoma, é necessário, de uma só vez, exaurir o pulmão, achando ter apenas uma chance para se criar a mais perfeita de todas. Mas naquela em que estou, como vidraceiro, eu me encontro soprando, suplantando ar em vez de choro, que me viria convulsivo e intempestivo. A cada respiração, meu ambiente de escolha vai se alargando, tornando-se a mais imperfeita forma oblonga, lisa, ininterrupta, e de vidro cada dia mais grosso. Por onde tocar, vai sentir a grossura blindada da massa vítrea, fazendo-o refletir que a escolha que fizeste não era das melhores a melhor, mas neste seu grau de inversão de culpa, enterra-se no desfalque da própria grandiosidade. 
     E nesse nosso não mundo, eu queria que mais da sua sombra crescesse por aqui. O problema, porém, se reside nessa sua maneira de encarar a realidade, algo que bem aprendi contigo, ao se enterrar de trabalho para não ver o óbvio. Também como a ti, trabalho muito, querendo escapar do tão óbvio desfalque que nos há. Hoje se há vida, há tristeza. Tornou-se balança, querendo equilibrar, quando o peso que corre para longe está buscando penas bem maiores.
     Mas da estrutura oblonga, nem tudo pode ser tão ríspido, pois sempre se dota o mundo com esperança. E foi por causa dessa senhora de verdes proporções que deixei a redoma enfraquecida. Lá no topo, consciência ,moleira da criança, a redoma racha fácil. E parece que lá se espera que tudo se redobre, se retome, se refaça, pois não há parágrafos no mundo que conseguirão suplantar o excesso de saudade que me há dos velhos tempos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eduardo e Mônica

Dias desses, acessando a internet, dei-me de cara com uma chamada de um possível clipe da famosa música narrativa do Legião. Depois de ter visto que era um link patrocinado - algo que me afastaria um pouco - resolvi vencer o preconceito descabido - mesmo sabendo que todo preconceito é descabido - e vi o videozinho. É legal, moderninho, bem bacana, muito bem feito. Cenografia, atuação e fotografia impecáveis. Só ri muito do aplique de cabelo longo que fizeram no garoto, mas muito bom. Confiram e depois digam:

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Segundas de Literatura XXX

Depois de um bom tempo - um bom tempo mesmo - retorno com a coluna de Segundas de Literatura. Quis vir, então, com um peso pesado, alguém fera mesmo. Por isso, apresento a alguns: Bernardo Carvalho.

É muito interessante a pluralidade brasileira atual na literatura. Há muita gente boa escrevendo, muita mesmo, e às vezes fico incomodado como professor de literatura que sou professar os consagrados que hoje estão em manuais de literatura para o ensino médio.

A entrevista a seguir é sobre uma obra encomiástica chamada O FILHO DA MÃE, que ficou em segundo lugar na COPA BRASILEIRA DE LITERATURA. Confiram o teor da obra, que já vale viver a sua descoberta.

domingo, 12 de junho de 2011

Por que não? (ou uma dose pra Domingo)

A última carne do impacto

Veio-lhe em rápido
À galope de queda
Chocar-se em rocha
De construção universitária

De todos os seus vários uns
Rompido!
A se espalhar
Sem fórmica identidade...

Era de si um ser disforme
Apenas em base esquelética
Que se levanta sem disfarce
A chocar a quem o vê!

“Tem forma humana!”, dizem
Exclamam semelhanças
E aos poucos se refaz
Com as sobras carnificadas


“Estão todas ‘livradas’ de mim”, lamenta
Mas seu esqueleto palimpsesto
Incapaz de unir todas as forças
Tremia diante dos moribundos
Que se mexiam chorosos

I – De lá do céu, veio-se um raio
A juntar Órion em homem
Com a força de um martelo
Houve-se de chamar Marcelo

“Hei de me dar nome incomum”
Do mesmo ar que se veio
Deu-se Archie em nosso meio
Eis que surge o primeiro

II – A tremer como forma feminina
Olhos verdes, sinuosa sina
A pensar em todas as crises
Um palimpsesto – faz-se Eloise
Que se soma de mais um si
Trema – perene a ti

III – Há aquele de sangue ao meio
Olhos largos, riso rasteiro
Na guitarra um acorde a dá-los
“Começo-me por chamar de Carlos”
Mas muito se lê em Vinny

IV – Nas faces policísticas
Polimicrocromáticas tijucanas
Subidas-descidas do asfalto-tijolo
Surge o belo de seu rosto
Nasci para incesto-incomodá-los
“Meu nome será Pablo
Só me verão aqueles nas alturas”

V – Da penúltima fórmica face
Há o que se julga
“Reúne a face impura
De neologismos esdrúxulos”
A pensar heroísmos incautos
A viver só pelo átimo
Seu nome será só Márcio
De palimpsesto-Calixto
Que se levanta com dificuldades
De viver só para si

VI – Do esqueleto fortificado
Há o eterno que se existe
Dele em si vieram todos
A ganhar força pela cria

Antônio é a nossa vida
De onde se dá nossa vinda
Se para nós hoje há cores
Eis a nossa fonte,
Antônio Torres

Em esqueleto de eterna cria
Hoje não há um que se Trema
Diante do papel que se borra em tinta
Na última carne fortifica
Sangue de valor lancinante
És o nosso Quixote
Somos o seu Roncinante!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Desembestando

           Sei, parece que abandonei o site, deixando-o à mercê de todos os outros escritores daqui. Por sorte, tê-los manteve o Pictorescos em sua caminhada, mesmo que lenta, ultimamente, mas em caminhada. E logo depois de ter tomado um esporro público de uma de minhas amigas e escritoras aqui do grupo, resolvi colocar as manguinhas de fora e escrever. Não escrever qualquer coisa. Mas escrever, escrever e escrever. 
          Sim, comprometo-me a escrever sempre, pelo menos um texto por semana hei de colocar aqui no nosso site. Sim, comprometo-me a fazê-lo se mexer, até por respeito aos nossos atuais três mil leitores mensais. Sim, comprometo-me a fazer as colunas antigas se mexerem, pois até elas se estagnaram. Sim, comprometo-me a colocar no eixo o Pictorescos. Sou o editor, nunca abri mão desse papel de limitador e ao mesmo tempo capacitador. Sim, digo a todos que também estou à procura de novos escritores. Quero colunistas e mais colunistas. Todos aqueles que estiverem dispostos a escrever pelo menos dois textos por mês, eu estou disposto a aceitar - só mantenho minhas ressalvas para as qualidades. 
           Para quem não sabe, ainda há sonhos a serem realizados com o Pictorescos. Desde o começo, ele é um grupo de estudo, baseado em cima de um blog, mas um grupo de estudo, de observação sobre aquilo que acontece em nosso torno, que se diz respeito à música, literatura e arte como um todo. Com o tempo, tornou-se um ambiente de sutis observações, catapultas de vislumbrações e veemências pessoais. Algo que julguei ser a cara do Pictorescos, aquilo que de maneira ou de outra torna-se uma crônica das mínimas vivências contemporâneas. Um crônica viva, adepta das várias mutações textuais possíveis. 
         A partir de hoje estarei desembestado, colocando tudo aqui que estou escrevendo, mas tudo mesmo, desde as pequenas intervenções nos meus mais íntimos escritos, como também estando a analisar o que estamos a escrever. Eu também estou sem freio, pois andei muito tempo com a roda presa. 

Espero que gostem do novo resultado!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Obituário II (esse post anda meio macabro...)

É com enorme alegria que venho por meio deste obituário tornar pública – uma vez mais – a morte do pseudo-escritor (amador e amante); aprendiz de feiticeiro; guitarrista de merda... Dé Garfield, aos trinta e cinco anos.

Morreu no abismo da superfície do chão, em sua busca incessante pelo controle, brilhantismo, perfeição, a ideia que ninguém jamais pensou, o gozo mais profundo e inesquecível, a nota que nunca “arranha” ou sai da escala. A ele não foram dedicados o Nobel da Paz, a legendária guitarra produzida uma vez por ano pela Fender, qualquer poesia ou verso e nenhum especial da Rede Globo de Televisão.

Morreu para reformular-se e forjar-se, renascido como a Fênix mitológica, mais generoso consigo, mais falho, mais igual e mais gente...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Caso verídico

Isso é uma história real!

E-mail para paulazdanowsky:

Isto é um aviso:
Você tem até o fim do presente dia para mandar o seu curriculum vitae para o e-mail do Ilustríssimo Senhor Renê Pimentel.
Caso isso não aconteça, ao final de casa hora ímpar do dia sua caixa de entrada receberá um e-mail contendo vírus potentes que agirão independente da sua vontade. E não adianta excluir o e-mail sem abrí-lo, pois, uma vez em sua caixa de entrada, ele agirá de forma destruitiva.
A cada duas horas de atraso, o vírus corromperá uma parte dos seus arquivos salvos (e isso inclui aqueles que foram salvos em cd/ dvd/ pendrive e que já foram deletados do computador, porque o vírus é realmente muito potente!). A destruição começará pelos arquivos da faculdade, depois passará para as fotos, músicas, vídeos, e históricos do msn.
Caso você faça o que foi solicitado no devido tempo, seu computador não será invadido e nenhuma das ameaças acima se concretizarão.


P.s.: Poderia muito bem entrar em contato com os meus amigos hackers e inventar um programa destrutivo assim, mas resolvi humildemente pedir uma coisa simples: MANDA LOGO ESSE CURRICULUM PRO NOSSO TIO E FACILITA A MINHA VIDA!?

Atenciosamente,

Bárbara Zdanowsky
Graduanda do Curso de Comunicação Social - Jornalismo (e sua irmã)
Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto - MG

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Coletivo

Eu sei, o automóvel é um dos grandes ícones – para usar uma palavra da moda – do capitalismo. Sonho de consumo a alimentar desejos e que fascina especialmente aos homens. Inegável a utilidade do carro: facilita a locomoção, faz com que se chegue mais rápido, você controla a trilha sonora, sem contar que dá até para comer no carro... Uma maravilha! Mas quer saber, adoro igualmente coletivos. Ou melhor, gosto da atmosfera, de ver pessoas e ouvir o que elas andam falando. Sim, por que não?! Certa curiosidade em relação “ao outro”, no meu caso, é pressuposto básico de trabalho (mas, deixemos de lado certas “pessoalidades”), e de mais a mais, alguns cronistas de verdade, como Machado de Assis e Lima Barreto possuem grandes histórias embaladas pelos solavancos de carruagens e bondes.
Mas outro dia foi exagero, quase uma síntese do gênero humano dentro daquele ônibus. Viagem longa e enfadonha, se não fosse algumas pérolas, que de tão edificantes merecem serem aqui compartilhadas.

Para começar, uma senhora, digamos, tamanho GG saca um celular para fazer uma ligação:
- Oi querida, e aí? Vou para sua terra semana que vem. Mas me diga, qual é seu número agora, porque vou comprar-lhe uma blusa ...
- Nossa! Isso tudo! Ta igual a mim, uma baleia!
“A adoro ela, é uma das minhas melhores amigas”. Confessou ternamente para a senhora que sentava ao seu lado.
Esses tipos sinceros são os mais comuns. Imagina se ela não gostasse da “amiga”, não haveria nem a blusa nem tampouco o elogio tão afável.
Outro tipo absolutamente comum é aquele que adora contar coisas muito, muito pessoais a qualquer desconhecido que esteja próximo. Nesse quesito vale tudo: reclamar de dívidas; que o marido “não comparece”; que a filha se envolveu com um maconheiro que tirou a virgindade dela e foi embora...
A afirmação do mundo burguês e do racionalismo científico deve ter alguma culpa nisso – entre outras, naturalmente. Os sacerdotes andam meio desacreditados e não temos muito tempo para ter ou nos relacionar com nossos amigos, preocupados que estamos em ganhar e gastar dinheiro. Dessa forma ou recorrermos aos psicólogos (para gastar mais dinheiro em troca de sermos ouvidos) ou inconscientemente – Freud explica? – as pessoas andam descarregando esse tipo de coisa ao rodar a roleta do ônibus, o grande divã das camadas populares, que catarticamente expiam e ouvem os problemas de sua existência.
“No tempo da revolução não era essa bagunça...” Nossa! Ainda bem que essa eu não ouvi inteira. O tipo reacionário que sente saudades das atrocidades e desatinos da ditadura militar também anda por aí à solta. Cigarra tocando! Meu ponto! Estou salvo! Mas essa foi apenas à ida. O que me aguarda na volta?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Obituário I

Cresci (e ando envelhecendo) ouvindo dizer que "ex" e "vice" não representam nada. Mas para minha desconcertante surpresa me deparei com uma bandeira do Brasil - fora da época da copa do mundo, ainda por cima - à meio-palmo na instituição federal onde estudo por conta do luto ao nosso "ex-vice-presidente" ... Que, ainda falando em surpresas, fora lembrado pela grande imprensa como milionário empresário íntegro e honesto ...

Isso seria mais uma antítese ou um paradoxo????

segunda-feira, 28 de março de 2011

Uma nova cronologia

   Há tempos eu buscava encontrar um momento para uma crônica que pudesse considerar perfeita.  E o meu ponto era exatamente esse: tempo. Não irei discuti-lo aqui, até por ser recorrente, minha questão é um pouco metafísica: a cronologia. Já faz quatro anos que esse nosso site começou, em setembro de 2008 para ser mais preciso. E agora, quatro anos depois, chegamos essa semana a dez mil acessos. Alguns detalhes até são importantes de serem ditos aqui. E aí vão.
   Somos 62 seguidores. Observei cada um deles, e não só pela pluralidade de suas ações de internet – desde professores a praticantes religiosos – cada um transmite uma coisa que é comum ao Pictorescos: a necessidade de conhecimento artístico e discussão intelectual que se tornaram comuns ao nosso ambiente.  Todos os seguidores também estão observando outros blogs culturais – alguns até são escritores deles.  Importante é ver essa pluralidade. Não só por democratização da informação, mas saber que esta não se limita a alguma perspectiva. Isso me deixa feliz, muito feliz. Gosto de discutir com pessoas inteligentes, inteligíveis, capazes de manterem as próprias convicções incólumes, ao mesmo ponto que não se estatizam em seus próprios valores.
   Cada escritor-colunista trouxe a sua trupe. Há os que acessam da Baixada Fluminense; os que vêm de zonas metropolitanas cariocas; Região dos Lagos tem sua fatia; Minas Gerais – por que será, meninas? – e diariamente há trinta e cinco acessos, sendo que dez por cento vêm do Leste Europeu ou da Ásia. Engraçado, não? Gente que nem consigo imaginar. É daí que vem a intenção do meu título, de querer me aproximar desse pessoal, de toda essa galera, só para saber quem é cada um e quem gostaria de se aproximar mesmo do Pictorescos a ponto de se tornar colunista.
   É importante salientar que aqui se busca o escritor que queira fazer pensar, instigar, tornar o comum em pictórico, único, eloquente e loquaz. A priori não estou pensando numa quantidade limitada de escritores, mas sim daqueles que se identifiquem com o grupo. E o encontro não seria aqui, mas sim ao vivo, como uma vez me foi pedido por um dos nossos mais produtivos colunistas. Marcar um encontro, com todos, todos mesmo, só para gente se conhecer ao vivo. É aí que entrará a primeira discussão: onde poderemos nos encontrar? A segunda: quando? A terceira: data? O que gostaria nesse encontro é de ter todo mundo mesmo. Os que colaboram e os que observam.
  Para este dia será criado o dia Pitorescos. Perceba: PITORESCOS. Seria um novo começo, um novo ponto, com todos os novos e os que se mantêm.  Logo no início desse ano eu consegui o domínio PITORESCOS.BLOGSPOT.COM que há muito eu o buscava. Ele já está comigo, mas eu só farei a troca mediante VOCÊS DECIDIREM. Não será uma coisa minha. O nome Pictorescos, aliás, só existiu pois o sem o “C” já estava tomado. Mas acabou caindo no gosto,  para mim soava proselitista – até um pouco egocêntrico, algo como “Calixto ao centro”. Por isso o encontro, numa tomada de novo rumo ao grupo. É o que busco.
  É aí que vai o meu pedido: vamos encher a parte de comentários, que os mediarei, na busca pelo melhor consenso. Eu gostaria muito de saber o que pensam, muito mesmo. No dia desse encontro, até terei uma surpresinha pra vocês. Beijos e até lá!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Há meses, dias e horas

Depois de alguns meses de insistência, consegui finalmente deixar de pensar naquilo que tanto me incomodava e me deixava sem rumo. Um tipo de sentimento forte, que não me era estranho, mas distante. Algo que me fazia respirar fundo e tentar pensar em outra saída senão a redenção.
Depois de alguns dias de insistência, consegui finalmente me desligar do celular e deixar de pensar no inevitável. Consegui curtir a época mais agitada do ano sem me preocupar com nada além do que deveria. Até certo ponto.
Depois de algumas horas de insistência, não consegui controlar mais nada.
Resolvi deixar fluir para ver até onde a minha tendência à autodestruição me levaria, e descobri. Descobri que deixar fluir era a melhor escolha desde sempre. O resultado não foi o esperado há meses, nem há dias, mas há horas. Percebi que só me libertaria daquilo tudo quando jogasse limpo comigo mesma. E joguei.

domingo, 6 de março de 2011

A Inveja

Esta semana estava eu ouvindo a rádio – pois rádio é cultura e informação e nem só de i-pod viverá o homem! –, quando me deparei com um debate interessantíssimo sobre a inveja e um dos debatedores disse que todo ser humano sente inveja, seja do que for. Isso me fez lembrar o que disse uma maravilhosa professora de Psicologia que eu tive na faculdade, Regina Carrancho, que também fez a mesma afirmação; na época eu fiquei chocada, pois me acreditava acima desse sentimento mesquinho, mas qual não foi a minha surpresa ao verificar que eu realmente sentia inveja! E foi no meio desse pensamento que a diarista aqui de casa saiu com a seguinte tirada: “É, Dona Alexandra, inveja todo mundo tem, mas até pra ser invejoso é preciso ser inteligente, né?”. A mulher parecia até telepata! Perguntei: “Como assim, Fabiana?” e ela muito à vontade respondeu: “Ué, a gente vai invejar quem tem mais que a gente! Invejar quem tem menos é burrice!”. Touché.
Ok. Sinto inveja, mas será que das coisas e das pessoas certas? Fui dar tratos à bola e tentei analisar o que me causa inveja. Chequei ponto por ponto e vi que invejar quem tem ou sabe menos é perda de tempo, além de rematada burrice mesmo. Vamos desfiar o rosário.
Sempre invejei aquelas mulheres que atraem os homens como mosca no mel, mas percebi que elas atraem realmente qualquer tipo de homem, o que não que dizer que estes valham à pena. Então para quê invejá-las? Vou invejar as bem casadas, com companheiros incríveis que as tratam como rainhas, que recebem flores todos os dias, e têm seu amor conquistado todos os dias. Invejar aquelas modelos lindas dos comerciais de shampoo com cabelos que parecem um manto? Não! Vou invejar as mulheres que tem a coragem de desapegar das suas madeixas e mostram que têm atitude como a Mayana Moura, a Sandra Annerberg, a Maria Paula. E, se é para invejar em grande estilo, não vou invejar os desleixados e desprovidos de conhecimento fashion, vou invejar mesmo é a Ana Hickmann, a Glória Khalil, a Isabela Fiorentino, a Constanza Pascollato, a Giane Albertoni. Até poderia invejar a juventude, mas acho que prefiro mesmo a experiência, a elegância e o senso de humor da maturidade de Marília Gabriela, Luíza Brunet, Christiane Torloni, Fernanda Young e Fernanda Torres.
Vou invejar quem não tem espírito solidário? Deus me livre! Quero invejar gente como Madre Teresa, Zilda Arns e Irmã Zoé, que se preocuparam com o bem-estar alheio e se compadeceram com o sofrimento do próximo, ainda que não fossem seus parentes. Invejar quem não sabe perdoar? Invejo, sim, Mahatma Gandhi e Chico Xavier.
Devo invejar os workaholics, os ambiciosos, os sedentos de independência financeira a qualquer custo? Mil vezes não! Quero invejar os que trabalham por prazer, com aquilo que gostam, pois esses têm mais harmonia na vida e menos doenças do corpo e da alma. Invejar aqueles cujos conhecimentos de informática não vão além do Facebook? Nada hi-tech, hein? Decidi invejar o Bill Gates, o Larry Page e o Sergey Brin e todos os feras em Photoshop, Corel, Autocad e Pro Tools M Powered 7.
E nem pensar em invejar os sucintos, tímidos da pena! Invejarei os grandes escritores, os que têm o dom da palavra, invejarei Cervantes, Camões, Montalbán, Shakespeare, Pessoa, Paulo Coelho e Agatha Christie, Ken Follet e J. K. Rowling. E o que dizer dessa geração que prefere Lady Gaga à Maria Bethânia?! Não dá pra invejar quem não conhece Noel Rosa, Cartola, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth; quem não canta um verso de Caetano, Tom Jobim e Zizi Possi! Como sentir inveja dos mortais que não suportam cinco minutos de Mozart, Schubert, Beethoven ou Pavarotti? E já que enveredei pelas artes, invejar quem não dança é o ó! A meta é Ana Botafogo, Débora Colker, Beyoncé, Shakira, mas (os puristas que me desculpem) numa pista de dança até Mulher Melancia tem seu valor!!! Culinária também é uma forma de expressão, então invejar quem mal sabe fritar um bife é pedir para morrer de fome física e cultural. Vou temperar minha inveja com Ana Maria Braga, Roberta Sudbrack, Emmanuel Bassoleil e Claude Troisgros.
E por último, porém não menos importante, não invejarei os que pouco conhecem do território brasileiro e de suas belezas. Por viajar desde os sete anos de idade conheço metade desse país, parques temáticos, museus em várias cidades brasileiras, hotéis incríveis. Ah, francamente, melhor invejar o Amir Klink e o Zeca Camargo!
Sei que estou há léguas de algumas das personalidades que citei, pois estas estão num patamar muito elevado, moral e espiritualmente falando, mas para crescer a gente deve olhar para cima e não para baixo. Já dizia meu amado Noel: “Quem é você que não sabe o que diz/ Meu Deus do céu que palpite infeliz...”

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