domingo, 26 de junho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
Pra não cair no esquecimento
Parou o carro, foi até a margem da ponte e saltou. Fez questão, antes, de ligar o pisca-alerta, parar um pouquinho depois da câmera, subir no parapeito e o resto é história. Conseguiu, porém, nas lentidões necessárias de um salto, mandar mensagem para cada um de seus amados. Com o celular em mãos, deu um tchau para a câmera. Ali se fez passado.
“Tá sendo ótimo pular, seguir ao nada, sentir a proximidade da morte. Todos sabem que nunca tive medo dela, que me fascinava, queria conhecê-la. Depois de agora, de tudo que me aconteceu, por que não morrer? Mando essa mensagem para todos vocês. Bem capaz de quando ela chegar, eu já estarei no fundo do mar, navegando, dormindo nas profundezas do último Morfeu. Só tenho a dizer que amo a todos. Invariavelmente. Me jogo, pois me sinto completo. Me mato, pois de mais nada eu preciso. Tive vocês tão próximos, em todos os momentos. Agora, preciso só da lembrança. Gostaria de que um dia tentassem o mesmo que eu, é belo. É lindo. Não é o mesmo que andar de moto. Nem chega perto da sensação de pular de para-quedas. É ótimo ter a sensação da certeza. A aproximação da água assusta um pouco. Mas o prazer de um novo nascimento é indescritível. Espero encontrá-los mais cedo ou mais tarde. Espero até que mais cedo do que tarde. Torço por todos. Um beijo. M...”
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Sexta às nove (56)
Perdoe-me Cerestino,
mas publicarei às nove da manhã.
Motivo: por ser sexta-feira, à noite ninguém quer ler nada,
e sim escutar.
E dessa vez, do baterista da minha banda recebi um link:
"Calixto, entra nesse tom, entra nesse tom!"
Olhem que vivacidade!
mas publicarei às nove da manhã.
Motivo: por ser sexta-feira, à noite ninguém quer ler nada,
e sim escutar.
E dessa vez, do baterista da minha banda recebi um link:
"Calixto, entra nesse tom, entra nesse tom!"
Olhem que vivacidade!
domingo, 19 de junho de 2011
Por que não? (ou uma dose pra Domingo)
Dessa vez dose dupla, pois é o segundo domingo (mas isso não é uma máxima, já-me logo explicando)
sábado, 18 de junho de 2011
Carta ao Homem de Opinião Volátil
O dia de um mais tudo, não no mundo mais quanto, e o quanto de ti tu foi a mim, meu pai. Meu reflexo de exemplo e na mais pura aurora, caminho pra um necessitado. És a fome e a raiva, a pureza e a podridão, naquilo que é tão tudo e ao mesmo tempo tão nada. Havia anos em que pensava escrever algo para ti. Assim tão direcionado e tão diretamente óbvio. Esta não é uma parte recife da escolha de palavras para compor capítulo mero de estória mais ampla. Isto aqui é recife seu. E sua é um tanto quanto de mais a ti que lhe escorre no mundo a culpa dos erros alheios. Tornaste homem martírio, sibilo martírio, de algo que acha ser bonito: aceitar a culpa, que não se vê, como maneira de manter pilar de família. Mas quando os muros que perseguiste vir em pé são apenas pó, é hora de perguntar ao que meramente é.
Ainda não percebeste o quanto é mutante de tanto. Na tentativa de se esquivar de críticas, tornou-se um poço de sorrisos. Mas sua profundidade é tão curta que fica instável qualquer confiança depositada. E se sua seria sabida a palavra mal dividida, não é em ti que irei me espelhar pra compor-me homem. Sei o quanto um dia será difícil ler isso, mas quando me encontrar nessas palavras, talvez seja tarde a mim minha vinda. Sou venda, apenas olho diante demais. E com a faixa mais escura que pude encontrar, para não ver o quanto da tua carne se esfacela na dúbia aurora que te surge ao acordar, distante diante, um segundo tanto intocável.
Desnecessário é se criar uma redoma. O vidraceiro, quando a cria, usa do próprio sopro, da própria capacidade de respiração. Para se compor perfeita redoma, é necessário, de uma só vez, exaurir o pulmão, achando ter apenas uma chance para se criar a mais perfeita de todas. Mas naquela em que estou, como vidraceiro, eu me encontro soprando, suplantando ar em vez de choro, que me viria convulsivo e intempestivo. A cada respiração, meu ambiente de escolha vai se alargando, tornando-se a mais imperfeita forma oblonga, lisa, ininterrupta, e de vidro cada dia mais grosso. Por onde tocar, vai sentir a grossura blindada da massa vítrea, fazendo-o refletir que a escolha que fizeste não era das melhores a melhor, mas neste seu grau de inversão de culpa, enterra-se no desfalque da própria grandiosidade.
E nesse nosso não mundo, eu queria que mais da sua sombra crescesse por aqui. O problema, porém, se reside nessa sua maneira de encarar a realidade, algo que bem aprendi contigo, ao se enterrar de trabalho para não ver o óbvio. Também como a ti, trabalho muito, querendo escapar do tão óbvio desfalque que nos há. Hoje se há vida, há tristeza. Tornou-se balança, querendo equilibrar, quando o peso que corre para longe está buscando penas bem maiores.
Mas da estrutura oblonga, nem tudo pode ser tão ríspido, pois sempre se dota o mundo com esperança. E foi por causa dessa senhora de verdes proporções que deixei a redoma enfraquecida. Lá no topo, consciência ,moleira da criança, a redoma racha fácil. E parece que lá se espera que tudo se redobre, se retome, se refaça, pois não há parágrafos no mundo que conseguirão suplantar o excesso de saudade que me há dos velhos tempos.
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