Agora a pouco, minha esposa, Você não precisa ser ciumento assim, por isso te conto tudo, e
fiquei pensando, sou mesmo ciumento?
Digo, sou sim. Mas por ser introspectivo, caladão quando posso, nunca fui de externar e foi com as palavras dela que cheguei à mesma conclusão. Sou um ciumento convicto, capaz agora de poder afirmar que este traço de minha personalidade está aqui, bem diante de mim, dedo em riste, Você o é, Sim, o sou, por que não?
Digo, sou sim. Mas por ser introspectivo, caladão quando posso, nunca fui de externar e foi com as palavras dela que cheguei à mesma conclusão. Sou um ciumento convicto, capaz agora de poder afirmar que este traço de minha personalidade está aqui, bem diante de mim, dedo em riste, Você o é, Sim, o sou, por que não?
O ciúme é a porta aberta para a doença, para a convicção da incapacidade de
autocontrole, para a clarividência das fraquezas, para o argumento incrédulo,
para a irracional demonstração de necessidade de preenchimento. O ciumento é um
eterno carente, que na proximidade da completude, da carência em extinção, se
desespera, se pronuncia com medo, fica armado para uma batalha que não existe.
Cria batalhas que o põem em xeque, Por
que isso tudo?, ela diz, Porque te
amo, quero te proteger desses que só pensam em te usar, digo, Você é assim com a outras?, Não, elas não me
interessam, a única coisa que me vale é você, mas aí já está a discussão,
ela se cala com o medo de um dia você pensar em cometer crimes passionais, tão
lindos nas estórias, tão inconsequente na realidade.
Você sabe que odeio armas, numa outra tentativa desesperada. Argumento, O meu problema é autoestima, você é muito gata, todos te querem, Mas eu não, e me vem a banda no dois pés, caio sentadinho sentadinho. Ela me estica a mão, me limpa, nenhuma poeira, por que será que me detém assim?
Você sabe que odeio armas, numa outra tentativa desesperada. Argumento, O meu problema é autoestima, você é muito gata, todos te querem, Mas eu não, e me vem a banda no dois pés, caio sentadinho sentadinho. Ela me estica a mão, me limpa, nenhuma poeira, por que será que me detém assim?
Meu
ciúme é meu espelho, meu demonstrativo de humanidade. Não quero que ela pense
que sou um doente derrotado nas mãos dela, mas que sou um eterno grato por
tê-la comigo. Entenda, eu que nunca tive ciúme de ninguém, agora passo a tê-lo,
será que isso não é bonito?