terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Todo Carnaval tem seu fim

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Como você deve saber, não basta a uma música ter uma boa letra, é importante que ela tenha uma melodia igualmente boa, que as palavras combinem com as notas, etc.

"todo carnaval tem seu fim" é um belo exemplo da junção de letra e música numa 'massa' consistente e saborosa. A primeira música do álbum 'bloco do eu sozinho' é de uma criatividade deliciosa, o que é característico da [infelizmente] extinta banda Los Hermanos.

O começo é uma das partes de que eu mais gosto[talvez seja necessário aumentar o volume para ouvir melhor]. O sentimento vacilante daquele trombone é um título não lexico pra música, pois expressa a idéia que a música passa do carnaval. Pra quem já foi a alguns carnavais por aí, ouvir esse trombone é ver um filme do que que é o sambódromo pós-carnaval.

"toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
toda bossa é nova e você não liga se é usada"

fala da alienação em relação ao que nos cerca, aquela comoda teoria de: 'já que é pra se divertir, que se dane tudo. Po, é carnaval cara...' idéia essa que se chega ao clímax no refrão:

"deixa eu brincar de ser feliz,
deixa eu pintar o meu nariz"

o resto, espero que vocês [nos comentários] nos ajudem a refletir sobre essa canção.

9 comentários:

Vítor Carvalho Ferolla disse...

O PAVA está fazendo uma Newsletter só para blogueiros e dessa vez é sério.

Para entrar na lista basta me enviar um e-mail com seu Nome, E-mail e Endereço de Blog e Data de Aniversário para:

amigodopava@gmail.com

Obrigado!

°°mila°° disse...

É um grande pesar não poder contar com a criatividade desta banda que foi e ainda é trilha sonora e fundo de muitos momentos meus de reflexão.
Gosto da parte que antes do refrão o Marcelo indaga:
Pra que mudar?
É penso que tem muito a ver com o que disse da passividade. Pra que mudar? É caranaval, é festa, anime-se, esqueça.
Acho-os tão fantásticos que confesso temer dar pitacos.
E o instrumental ao fim da música para mim deixa um gosto de melancolia na boca.
Pronto. Já dei meu palpite.

Márcio Calixto disse...

Que análise de muito bom gosto, comapnheiro Cerestino, eu mesmo nunca tinha visto a introdução lenta e decadente daquele trombone como um título rítmico, um elemento figurativo de toda base da interpretação. Continue sempre escrevendo assim, com riqueza, sobriedade, paixão e precisão. Ficou lindo seu texto, lindo mesmo.

Agora, vou ser sincero, Los Hermanos é uma perda, uma perda considerável, pois eles tinham coragem de peitar instituições e modelos pré-definidos de música, como há aos montes hoje. Eu também sinto uma falta daquela banda, até porque eles deram margem para um mar de outras bandas também mostrarem para o que vieram. Mas a gente vive a realidade das estatizações musicais dos anos oitenta. Nossas bandas são as mesmas há 20 anos e hoje não sabemos de outras que tenham surgido na década de 1990 que venham com força (se alguém falar que Detonautas é um ícone, está de brincadeira). É uma pena, pois essa limitação parece nunca poder ser vencida. Então, que escutemos NXZERO, CPM22 e qq outra merda por aí.

Cerestino disse...

Essa recado vai para Calixto, e todos os visitantes: ainda há esperança. Rodrigo Amarante, o ex-guitarrista do Los Hermanos, é líder de uma banda chamada Orquestra Imperial. Olha, o som deles é extremamente bom! Faço propaganda mesmo!! Afinal, a arte tem de ser propagada.

tá dado o recado.


PS: o marcelo camelo também lançou-se em carreira solo, porém entre ele e a Orquestra...

Márcio Calixto disse...

senti um certo gosto de tendência no ar, mas sempre achei que a força motivadora do Los Hermanos fosse Marcelo Camelo...

Cerestino disse...

bom, é algo a se pensar. Acho que o Marcelo camelo era o compositor entendeu? claro, tinham musicas do Rodrigo Amarante, mas o forte dele são os arranjos. Enquanto o forte do Marcelo são suas composições...

isso penso eu!


tipo, o Bono vox declarou há algum tempo que se o U2 é alguma coisa é por causa do The Edge, o guitarrista!

sim, me cheirei e senti a tendencia mesmo! =]

Márcio Calixto disse...

Sabe algo que nunca me pareceu justo? É afirmar que uma banda tem um líder. Afirmar isso significa que todos os outros estão condicionados àquele que cria, e os outros são meros funcionários da força artística desse que lidera. O único caso em que vi isso ser possível foi no The Police, em que o Sting literalmente fazia tudo. O Lenny Kravitz (acho que é assim que se escreve)também faz todas as partes de sua música. Mas, por exemplo, o líder do Iron é o Steve Harris, mas o que seria do Iron sem a força intelectual de todos os seus integrantes? Falar, por exemplo, que o Amarante seja o líder me parece preocupante, pois todos os outros que com ele estão sejam apenas bons músicos a favor dele, mas será que é isso que acontece mesmo? Sem criar sofismas, assim que der voltaremos a falar de tendências.

Cerestino disse...

tens razão. Até porque a Orquestra Imperial tem um elenco respeitável!

Mas acho que numa banda, como qualquer outro grupo que seja, é natural o aparecimento de um líder, simplesmente porque é natural.

Torna-se ruim quando o líder vira ditador. E é ruim também a mania que agente tem de sempre associar liderança a controle totalitário. É uma tendencia né? rs

Mas uma boa liderança tá mais associada à administração do que a dar ordens.

PS: e pra quem quizer conferir mais da orquestra imperial: http://www.orquestraimperial.com.br/

Márcio Calixto disse...

Liderança é basicamente criar rumo, dar diretrizes, o que já é um limitador, não? Alguns se perdem nesse assunto e se tornam ditadores.

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