terça-feira, 27 de outubro de 2009

O TEXTO IMAGÉTICO – A LEITURA A PARTIR DE IMAGENS


Resolvi escrever uma crônica diferente. Algo como se fosse um artigo. Como pesquisa, resolvi mostrar para vocês.

O TEXTO IMAGÉTICO - A LEITURA A PARTIR DA IMAGEM
Nas discussões que se desenvolvem sobre a leitura, buscando determinar quem é o responsável pela construção de sentidos dos textos, o eixo se desloca ora para o leitor, ora para o autor, ora para o texto, ora para a interação desses fatores, ou para outros tantos que os ultrapassam. Dependendo da ótica que se adote, as respostas se polarizam numa ou noutra dimensão. Não se trata de entrar nessa polêmica, mas de buscar determinar o papel que a forma desempenha para a construção do sentido do texto.

A Força da Forma

O discurso não se faz fora de uma forma, e, mesmo que ela seja estudada demoradamente, pode levar para pontos não desejados, indício de que as formas falam, dizem coisas que estão para além do leitor (que muitas vezes não percebe, por não ter como pensá-las) ou do autor (que diz coisas que jura não ter dito). No caso do discurso imagético, pode-se postular que a forma com que ele acaba vindo a público seja fruto da reflexão do produtor e que as formas sejam definidas a partir de uma forma de concepção social, tanto sobre os objetos costurados, como sobre as pessoas, delicada e manipulativamente enredadas.
O discurso, nesse sentido, é a constituição de uma trança feita pelo ourives, que, no fim do trabalho, constrói uma jóia rara, cuja compra dependerá da habilidade de sua arte, da sua competência em construir diferenças, das marcas que deixa impressas sobre ela, dos índices de seu maior ou menor trabalho artesanal. Levar em consideração o papel que a forma desempenha no processo de interpretação do discurso é ter para com ela a atitude que se deve ter com relação às formas físicas das obras, sendo necessário buscar compreender como elas afetam “o processo de construção do sentido. Compreender as razões e os efeitos dessas materialidades remete necessariamente ao controle que editores ou autores exercem sobre essas formas encarregadas de exprimir uma intenção, de governar a recepção, de reprimir a interpretação”. Perceba por exemplo os quadrinhos acima. Há uma soma de texto verbal e de não-verbal, criando uma iconoclastia entre si. Uma fada afirma não existir a fada dos dentes. Essa se intitula a fada da verdade e por isso não teria mesura ao medir palavras e afirmar para uma criança – no caso um recém-nascido – de que o amor de seus pais não mais existe, pois foi ela quem destruiu. A mensagem ganha força, pois a fada – em caracteres masculinos – fuma e tem a barba por fazer, ampliando o sentido de descrédito à humanidade, o que faz ter menos sensibilização em dizer a verdade.
No mundo da leitura imagética, a fusão entre verbal e não-verbal toma conceitos amplos, criando novas formas de interagirmos com o mundo. Perceba como as imagens abaixo representam um aspecto cultural de interpretação. O símbolo da tecnologia é um computador – tanto um desktop quanto um laptop – a alimentação é representada por uma pizza, algo que se fosse nos anos de 1960, bem antes da popularização desta, o símbolo não traria resultado. E há ainda vários pontos que podem ser levantados na maneira como a imagem se cria. O que se pode pensar de uma televisão de LCD ao interpretar Cinema e TV? Ou o que se pode pensar na questão do sexo apresentar os símbolos de macho e fêmea, em que o símbolo masculino encontra-se em cima? Por que um relógio representa cotidiano? Ambiente é somente uma árvore? Por que esporte se apresenta em um quadrado verde com uma bola de futebol? Por que em religião há alguém rezando?


Comunicação através de símbolos gráficos

O uso da simbologia é uma forma de comunicação não verbal, por exemplo: sinalização, logotipos, ícones, são símbolos gráficos constituídos basicamente de formas, cores e tipografia. Através da combinação destes elementos gráficos é possível exprimir idéias e conceitos numa linguagem figurativa ou abstrata, o grau de conhecimento de cada pessoa é que determina qual a sua capacidade de interpretação entre a linguagem não verbal para uma linguagem verbalizada, falamos do uso dos símbolos (linguagem não verbal) e seus significados (linguagem verbal). As cores mais utilizadas neste processo são àquelas de maior contraste cromático, tais como: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, branco e preto, tanto isoladamente com combinadas entre si. Um exemplo, é o uso de amarelo e preto para comunicações na área de segurança rodoviária.

O TEXTO IMAGÉTICO NAS ARTES.


O quadro ao lado pertence ao pintor Salvador Dali, um dos expoentes do Surrealismo. Perceba que no caso dela, há apenas um olho humano – com olhar fixo, sem estar ligado a um rosto humano. Este olho se encontra flutuando em um ambiente inóspito, como se pertencesse ao horizonte, tal qual o Sol ou a Lua. Porém, todo seu brilho está atrás dele, e não a partir dele. A mensagem, nesse caso, vem da percepção de um olhar longínquo, distante, triste, minguante, como se estivesse a chorar na solidão. O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido primariamente em Paris dos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo, reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo e posteriormente expandido para outros países. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa. Seus representantes mais conhecidos são Max Ernst, René Magritte e Salvador Dalí no campo das artes plásticas, André Breton na literatura e Luis Buñuel no cinema.
As características deste estilo: uma combinação do representativo, do abstrato, e do psicológico. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos. O principal teórico e líder do movimento é o poeta, escritor e crítico francês André Breton (1896-1966), que em 1924 publica o primeiro Manifesto Surrealista. Uma das principais idéias trabalhadas pelos surrealistas é a da escrita automática, segundo a qual o impulso criativo artístico se dá através do fluxo de consciência despejado sobre a obra. Ainda segundo esta ideia, a arte não é produto de gênios, mas de cidadãos comuns.
Na mesma linha segue a capa de uma peça de teatro sobre o criativo e genial poeta brasileiro Paulo Leminski, criador de uma poética totalmente própria, que trabalha com desconstruções e reinvenções, fonemização e liberdade. A imagem ao lado traz características da construção surreal, até pelo teor de declaração, em que A razão, senhora de toda frieza, ali, com Leminski, iria delirar. Abaixo um poema dele:

SE
(Paulo Leminski)
se
nem for
terra
se
trans
for
mar

Perceba que questões de mensagem e imagem se fundem em uma poemização profunda. Afirma-se que se não for terra, não há também de ser mar. Ao mesmo tempo, temos se Trans – algo substantivo – deixará de ser mar, descontruindo, destransformando a palavra Transformar. Para conseguir criar essa mensagem, as palavras foram dispostas – ao mesmo que as sílabas – uma abaixo das outras.
Como imagem, o texto possui simplesmente a pluralidade. E deve ser a partir desse senso que a interpretação deve se valer. Por isso, o estático aqui não deve ser colocado em ponto, mas sim a pura e simples síntese a partir do excesso. É a tônica básica da hipertextualidade.

3 comentários:

Raquel Rocha disse...

Olá, vou fazer uma monografia de Pós-Graduação sobre leitura imagética, você tem alguma bibliografia para me indicar. Obrigada! rachellimac@gmail.com

Ana Torrezan de Souza disse...

Olá Raquel, estou fazendo um trabalho sobre o mesmo tema, poderia compartilhar de alguma bibliografia?
Obrigada.
Ana Torrezan

(anatorrezan@gmail.com)

Unknown disse...

Olá estou também em busca de mais informações sobre esse tema.

polly.fideles@gmail.com

Obrigada!!!

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