quinta-feira, 23 de outubro de 2008

vento

Verde mar diante dos meus olhos
movimento sistemático
mesmo que aleatório... parece ensaiado
como ondas se movem esses dosséis

Cativa meus olhos
a tão indescritível beleza dessa dança
em que cada folha se entrega
ao compasso que pelo vento é ditado

Majestoso espetáculo
prazeroso aos olhos descobertos
pura beleza e simplicidade
só aos olhos não acostumados

aí passa...

Bananeiras, amendoeiras
todas as formas e tamanhos
frondoroso e vivo verde...
esquelético e moribundo cinza...

Cada uma tem sua beleza
tem a peculiaridade
que a torna singular
linda...

No misto de tonalidades
diversidade de vida
me trouxe esperança
nesse estranho fim de tarde

onde, na terra do medo, me encontrei
desnecessariamente ansioso,
com o temor de que leve tristeza da saudade
se concretizasse na dor do indesejado

de ser chamado de perturbador
pesado, irrelevante e excedente
o que com tanto cuidado
foi esperançosamente cultivado

Naquela tarde aquilo acabou
pois entendi, ao contemplar as amigas árvores
que, da delicada rosa no canteiro,
à mais pesada sequóia...

o vento move todas as coisas.

2 comentários:

Márcio Calixto disse...

um texto delicado sempre vem de mentes sãs que conseguem transpor a delicadeza da própria vida. E assim move o vento...

muito bom texto Igor, de muito bom gosto...

Cerestino disse...

obrigado mestre.

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