segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Primazia de um bom momento



















Quando se de cabo minha existência
E meu último dia se foi
Muito de mim se reconstruiu
Naqueles que por lá estavam

Mas a sombra daquela hora
que se cria em sangue parado
pouco seria justificado
se muito daquilo fosse revivido

Passamos horas lembrando
momentos bons de um passado belo
mas pouco vivemos de um presente eterno
a certeza da vida que pode ser criada

Damos preferência pela nostalgia
e pouco da vida se cria
preferimos os romances do passado
às histórias de agora

É como se não tivéssemos o direito
de criar dias que sejam perfeitos
o mundo roda pelo próximo dia
mas apenas queremos guardar o passado da família

História só é bela quando se justifica
passado de glória e certeza da vida
mas o presente é o refelxo da mais valia
que devemos ter hoje

Mas para mim meu hoje é retrato de lápide
e por mais que cada passo seu aja
saberei que ali se faz a eterna casa em laje
nos seus olhos, o concreto cerceia minha última mortalha

(Mais uma poesia minha, numa tentativa de achar que pode escrever. Uma boa tentativa, eu penso - façam os comentátios necessários)

5 comentários:

Cerestino disse...

é... nos apegamos ao passado, muitas vezes para tentar apagar a medíocridade do nosso hoje.

Enquanto o hoje é o único momento que temos. o único.


bom poema, mestre!

°°mila°° disse...

Que dura verdade. Por que essa idéia que o passado foi melhor? Por que nunca damos chance ao agora?
Isso me lembra aquela velha história da torta da vovó, depois que a vovó morre, você acha que só a torta dela era boa e nenhuma outra chega perto. Viajei?Deve ser o sono.

Calixto as 3 poesias que li suas até agora são todas muito boas.Gosto das palavras que se utiliza para seus textos, acho que as ecolhe muito bem.
Pára de achar que não sabe escrever.Modéstia.

Márcio Calixto disse...

Digo que não consigo escrever bem não por modéstia, mas porque não vem com a mesma naturalidade que vêm os textos em prosa. A eles eu me acostumei, e sim, n~çao vou negar, meu texto ainda é muito prematuro. Lê, por exemplo, João Cabral de Mello Neto e depois Drummond, aquilo sim é escrever poesia.

°°mila°° disse...

É, pegou pesado.
[risos]

Márcio Calixto disse...

É verdade, esses caras conseguiram naturalidade onde eu me esforço. Também não sei se quero, mas como professor de literatura e escritor que quer se consagra, julgo que preciso saber como se faz, mas meu foco mesmo é prosa, escrever contos e romances, é minha meta, o problema é achar tempo para terminar de escrevê-los. Por exemplo, estou escrevendo um conto chamado EPOPÉIA INSGINIFICANTE que o comecei quando minha esposa ainda estava grávida de Sofia; hoje, Sofia tem um ano e meio e escrevi não mais do que 15 páginas. Um dia eu publico aqui só para vcs terem idéia do que gosto de escrever. Nosso amigo André o leu e disse que gostou. Congruente, que é meu amigo Danilo, conhece a versão em música, que modéstia a parte, ficou linda. Vou tomar coragem e colocar aqui no site.

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