domingo, 26 de abril de 2009

Nosso Sangue


Estou notadamente acima do peso. Para perdê-lo preciso vencer a insistente preguiça. Na teoria é só agir, mas só quem sabe o que é desânimo, sabe. [risos] Preguiça, ócio, nos dá a estranha sensação de impotência e uma morbidez que parece se alimentar dela própria, e só cresce, incomoda mas tão somente cresce. E a impotência assola em razão do crescimento.
Há dois dias assisti a um filme chamado Diamante de Sangue. Com um ótimas atuações, roteiro melancólico e envolvente, um ótimo filme. Ele trata do tráfico de diamantes na África, envolvendo a ação de grupos guerrilheiros no país, que usam o trabalho forçado de habitantes de aldeias que eles invadem no garimpo de diamantes para os venderem ao mercado ilegal, sobre o pretexto de estarem libertando o país. As atrocidades cometidas pelos guerrilheiros são de uma barbárie e repúgno aterrorizantes, nem tanto pelo mostrado no filme, mas pelo que você [pelo menos eu] imagina o que realmente deve acontecer nessas minas. E como um dos personagens mesmo ressalta: "que os brancos matem pelo nosso diamante, é até compreensível, mas pelo amor de Deus, como nosso próprio povo pode fazer isso?!"
Entretanto uma cena me chamou atenção e quase me fez não prestar mais atenção no filme todo. O personagem de Leonardo di Caprio, Danny Archer se encontra com Maddy Bowen, a personagem de Jennifer Connelly, num bar; na conversa Archer, flertando com Maddy, tenta descobrir a profissão da bela moça, nesse meio solta uma pergunta: "Você é uma daquelas missionária? Se for vai ficar só tempo o suficiente para ver que não está ajudando."
Isso me transportou a uma aula de história na qual o professor tratava da questão Africana, dizendo que, desde a Partilha da África, evento ocorrido durante o Imperialismo europeu, esse continente vem sofrendo inúmeras guerras civis entre etnias rivais. E essas guerras se devem tão somente à própria ação européia no continente, que ao determinar os limites territoriais dos países, colocaram propositalmente [para viabilizar o comércio de armas] etnias rivais como fazendo parte de um mesmo Estado. Isso, claro, sem consultar os habitantes. Imagine se a rivalidade entre Brasil e Argentina fosse além do futebol e que nós realmente nos odiassemos, caso de se um argentino e um brasileiro se encontrassem numa rua, fosse motivo para pragejos e até agressões físicas. Agora imagine se de repente, os países europeus decidissem unir os dois territórios e chamasse o "novo país" de Brasil, ou de Argentina. Seria motivo de conflitos? Foi mais ou menos o que fizeram na África.
E quanto a ação de grupos humanitários, por maior boa vontade que tenham, a dura realidade é que uma mudança substancial só ocorrerá quando os que fizeram a besteira tomarem uma atitude a favor dos prejudicados. Até lá, por mais que eles só fiquem "tempo suficiente para ver que não estão ajudando" o trabalho de ONGs, voluntários com o desejo sincero de ajudar as pessoas lá é o que podemos fazer. E junto com o trabalho e válido a denúncia à omissão dos ditos líderes mundiais. Para atentá-los que o sangue não pode comprar uma pedra transparente e brilhosa que vai parar num fútil pescoço, dedo ou pulso. Sim, fútil! Me ira a idéia que não pesa a consciência nem um pouco saber que pessoas se submetem a condições subumanas, morrem, tem seus filhos recrutados para matar o próprio povo, tudo para que usemos um adereço dispensável.
Uma adorinha pode não fazer verão mesmo, mas será que duas fazem? mas um bando de andorinhas começa com duas andorinhas! Estou começando a ver esse tipo de idéia como "o que eles querem que a gente pense".
Quanto a mim, esse sentimento de angústia, tudo que escrevi veio como um relâmpago em minha mente e juntado ao sedentarismo, me abateu a vizualização de mim mesmo como inútil, impotente, totalmente incapaz de fazer algo que realmente faça diferença. Então veio um clichê inegável: "quer mudar o mundo? mude a sim mesmo"

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Hoje comecei a pedalar. 25 minutos.

2 comentários:

Márcio Calixto disse...

Estou vendo novos ares pra vc. Muito bom texto.

Cerestino disse...

obrigado mano!!

mas e aí, saiste do progressão? nunca mais te encontrei por lá!

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