quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Crônicas – A Era desta Guerra – texto I

Depois de eu ter declarado tal guerra mostrada anteriormente, precisava, antes de mais nada, ter um assunto para poder travar o duelo. Mas já digo de antemão que este não será o tema que vai servir para todas as outras crônicas que vou escrever aqui para o Pictorescos. A priori, vou escrever sobre os ganhadores do Prêmio São Paulo de Literatura, algo que tem me chamado a atenção nesses últimos dois anos. A projeção que se ganha com o prêmio é muito maior do que outros prêmios um dia sonharam. Os seus criadores desde o início quiseram essa projeção, algo que chama a atenção de maneira frenética e avassaladora. Conseguiram. O prêmio conquistou renome, credibilidade e, sobretudo, a amplitude que é necessária para obras de grande peso e publicação. Além do mais, dá uma visibilidade a novos escritores, aqueles que só seriam descobertos por vorazes leitores ou quando houvesse o tempo a chamarem-nos à importância.
Eu mesmo sou um leitor que busca os novos. Lembro-me bem de uma aula de Antônio Torres lá na minha UERJ, quando afirmou que os contemporâneos seus não liam os autores contemporâneos. Tomei aquilo como uma bandeira e saí à procura de novos na internet. Primeiro, não havia um portal ou algum site que pudesse resumir tal busca. Porém, minha sorte foi ter encontrado o pessoal das Bagatelas e ali ter conseguido um espaço. As Bagatelas abriram portas inimaginadas, antes apenas sonhadas em pedidos a Papai do Céu, em roda de Curimba e outros apetrechos que aliviam e trazem paz momentânea. Com eles, descobri o mundo maravilhoso da publicação, da descoberta, do conhecimento de perto de escritores, autores, artistas dos mais diversos calibres, e nenhum deles dotados apenas de sonho, mas de um talento acima de qualquer suspeita. Destaco dessa época o Botter, Paulo Castro, Marcelino Freire, Claudinei Vieira, Vidal, Flávio, Tati Carlotti como os mais talentosos dessa safra de conquistadores. Depois me vieram os Paralelos, outros feras, outros baratos também. A própria Cecília Gianetti – se me não engano – era do grupo. Ela foi laureada, ano passado, merecidamente, com o prêmio SP de Literatura. Ainda não tive a chance de lê-la, o ano anda – como sempre – muito corrido. Mas lê-la-ei. Tal qual descobri o Tezza, agora o Altair Martins. Na internet – essa matadora de dúvidas – consegui ler os dois primeiros capítulos do livro de Martins. Prêmio merecido como escritor em seu primeiro romance. Esse, realmente, tem um futuro certo, se não cometer enganos.
O bom desse prêmio não é somente a chance, mas também a qualidade. Eu consegui ler o que eu sempre gostaria de ter lido. Já devorei bons escritores como Faulkner, Woolf, DH Lawrence, Guimarães Rosa, o próprio Antônio Torres – só me faltam dois livros deles para eu fechar sua obra, meu problema é o Cachorro e o Lobo, um fenômeno – Adonias Filho – Graciliano Ramos e sei lá mais quantos. O problema de lê-los é saber que um dia você chegará ao fim de sua obra. Antônio, pelo menos, está vivíssimo e produzindo. O Seu último livro, Pelo Fundo da Agulha, li ano passado, é de um bom gosto salutar. Mas agora eu consegui dar voz à minha bandeira e poder ver o que há de fino trato na produção iniciante no Brasil. Isso eu sempre quis mesmo saber. Com a minha época de Bagatelas, eu pude ler alguns prelos, outros em bonecas, alguns miolos, ter a chance de discutir antes da ideia tornar-se obra, ajudar, entreter-me pensando. Li alguns Independentes – que ainda no Brasil tem sinônimo de azarado ou obra de pouca qualidade. Um livro em especial – que até ajudei a analisar pontos ortográficos e gramaticais – é o Sonhos não passam disso, do Rodrigo Melo, outro de calibre em expansão. O livro é uma reunião de Contos da época das Bagatelas e outros inéditos. Não havia um conto ruim, nada de mediano ou qualquer outro desabono. Os textos eram perfeitos, e o título não deixa de ter um papel especial. Sonhos não passam disso parecia na verdade a declaração de uma publicação. A primeira obra é sintetizada a partir de um sonho. E que bom sonho era aquele.
Na verdade, aconselho a todos que entrem em algum site de busca e cate por esses do Prêmio SP de Literatura. Vá atrás deles e saiba quem são. Ler é enriquecer cabeça, dar moral ao neurônio. Sei que muitos estarão aí talvez afirmando que não têm tempo de ler. Mas eu sempre digo, há como ler cinco ou dez páginas antes de dormir. Desligue a televisão um pouco e parta para ler um livrinho. O importante é ler. Sempre que puder.

3 comentários:

Hugo disse...

bem legal o texto...

conheço o senhor meu caro...
vc foi meu professor...
caralho...nunca imaginei encontra-lo em meio a esses blogs...

um abraçao ai Calixto o professor sinistro.....

uahauhauhauhauhaauh

"Por que corres Nicolau???"

http://nikolomuiloko.blogspot.com/ se puder da uma lida

Márcio Calixto disse...

Fala, bonitão, como andas!?!?

Essa piada do Nicolau, Hugo NIcolau, tornou-se antológica.

Como você está, grandioso? Tudo tranquilo?!

Assim que eu me lembrar como coloca link aqui no site, eu vou te adicionar.

Abracetas

Roberta Dittz disse...

CARALH... ! Vou já terminar de ler o meu Grabriel Garcia para começar outros.. adoro ler isso aqui!

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