quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Vilao, o meu

Mas não é como um conto de fadas, em que o sapo vira príncipe. Aqui, sapos são sapos e príncipes não existem. Cavalos brancos e castelos enormes são meramente ficção e não há vida que possa ser feliz se for baseada no famoso “era uma vez”, pois nada entra na nossa história por um acaso e muito menos acaba com “e foram felizes para sempre”, porque tudo que é bom sempre tem um fim.
Foi brincando de Cinderela que percebi que meu sapatinho ficará pra sempre na escada. Sendo a Rapunzel, vi que mesmo com tranças, não posso fazer de alguém o meu príncipe. Nem mesmo a Branca de Neve pode continuar com a minha ilusão, pois não há quem me liberte de um feitiço ou de maças envenenadas.
Príncipes existem, na hora em que fechamos os olhos, mas basta uma piscada para que ele se vá e a realidade caia em si. E não há dor maior que acordar de um sonho, que descobrir que o nosso príncipe não passa de um vilão e que somente nos sobra amá-los, do jeito que eles são, do jeito que eles podem ser.
Fantasias foram inventadas para serem vividas, mas basta um pequeno erro e o coração já não é mais capaz de colocar um ponto final numa história e começar outra.
E assim como os livros, nossas vidas são divididas em seções, e de todas as que já vivi, seja o terror, a ação, o suspense, a ficção e até mesmo o romance, nada me foi tão belo e me fez tão feliz quanto os contos infantis e o príncipe da minha historia.
Amigos vêm e vão, amores vêm e vão, em vão, mas príncipes,..., príncipes são pra sempre, e mesmo depois de virarem vilões, são os melhores sonhos ao vivo que já pude ter.
Vilões já conheci muitos, até aqueles que tentaram virar príncipes. Mas príncipe de verdade só conheci um. Sua permanência como tal foi até duradoura, mas a transformação aconteceu e de único príncipe, tornou-se o melhor vilão, mesmo que não possa fazer parte da minha vida.
Pois se a nossa historia terminar aqui, não vai ser com um “felizes pra sempre”, mas agora o que realmente importa é que o “felizes” já aconteceu e esse vilão tornou-se o anti-herói da minha historia. E heróis, com anti na frente ou não, perfeitos ou não, são sempre lembrados.
Não desejo o “nosso” fim, o fim do encanto, mas se ainda estiver ao meu alcance, aceito ficar com o vilão, afinal, nada nessa vida é tão certa quanto parece, e já que a minha, especialmente, não segue regras nem padrões, não há nada que se oponha a isso.
Pois, pra mim, essa foi a melhor história, mesmo que ela não vá para algum livro e não seja contada às crianças, pois se fosse possível, no meu conto, eu trocaria fadas, príncipes e encantos pela pessoa que me faz bem, mesmo esta sendo um vilão, o meu.

5 comentários:

Márcio Calixto disse...

Caceta,
que estreia!

Adorei o seu texto. Momento biba: A-D-O-R-E-I! LINDO LINDO LINDO.

Só que eu o classifiquei como conto, mas é uma crônica, não é?

Continue assim, tá indo por um ótimo caminho!

Pipa. A que sonha. disse...

Estou convencida de que todos nós temos zonas obscuras de nossa personalidade que não podem ser penetradas. E acho lindo isso, de dialogar nos campos da vida, o ordinário e o extraordinário dela.
Um dia vou achar um príncipe que olhe nos meus olhos ao invés dos sapatos. E vou voltar para as salas de aula da infância, onde um dia,sem tráfico de consciência, me conheci por inteira.



P.S.: "Me atiro do alto. E que me atirem no peito".

O Teatro Mágico.

P.S. Te abraço. Me abraças.

Luiz Carlos M de O Filho disse...

po muito bom o texto Paulinha.

Marina C. disse...

Bom texto. Mas discordo quando diz que "fantasias foram inventadas para serem vividas".
Fantasias são uma brincadeira. Foram inventadas para ficarem na nossa imaginação, e não é permitido a elas saírem de lá. São de mentira.
Meu ponto de vista.

Mas eu gostei do texto, muito legal (:

Simone disse...

É minha menina, contos de fadas não existem e príncipes encantados também não, concordo!O amor nem sempre é eterno e a felicidade as vezes passageira. Mas, não esqueça, há pessoas com quem podemos contar em todos os momentos e por isso, a vida vale a pena.

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