sábado, 20 de março de 2010

Uma entrada e uma saída.

Tenho uma notícia boa e uma notícia ruim. Qual que vocês querem primeiro? Hum, deixe-me imaginar, como todo ser humano gosta intimamente de uma catástrofe, sabendo que toda violência é fascinante, vocês devem estar naquele limite entre coerção, ética e personalidade para responder pela notícia boa, mas no fundo, no fundo, doidos para saberem a notícia ruim. Porém, coercivo que sou, vou para a notícia boa, até porque a que eu tenho como triste, para mim é bem triste mesmo.
A feliz, a mais do que feliz, é a realização, bem antes do tempo, de uma meta que eu tinha estipulado aqui para o Pictorescos, eu queria colocar três autoras de ponta no Grupo, para equilibrar a existência feminina a nós. Como eu tenho aqui um número de colunistas que nunca escreveram, mas que estão preparando uma obra-prima para lá de inimaginável – assim me dizem – eu precisava de outras para compor um corpo feminino de respeito – sem trocadilhos, por favor – e colocá-las logo de frente. Porém, pensei que fosse levar tempo. Que nada. As irmãs Zdanowsky logo vieram, e uma amiga de Letras e Confissões, Alexandra Dodelles, entrou semana passada aqui no grupo. Ela assinará pelo nome Dody Hari, motivo que depois ela explicará (não vou negar que eu sei qual é, mas certas explicações ficam melhores vindas de seus autores).
O meu problema aqui está sendo o óbvio contraste de beleza que há entre o ainda diminuto grupo feminino e o restante masculino. Elas eu vou deixar publicarem suas fotos, Cerestino, Danilo, Judeu, Calixto, Marquinhos, por favor, não pensem em tal. Nunca! Bárbara, Paula, Dody, por favor, façam O QUANTO ANTES. Mas ,antes de mais nada, vocês foram escolhidas pela qualidade soberba. Duas delas foram minhas alunas – tal qual Cerestino, ele sempre foi esquisitão, mas hoje tenho certeza de que é menino(rs) – Congruente – Danilo - é meu amigo pessoal bem antes dessa história de literatura, Alexandra já é fruto de uma amizade com dez anos de existência, tanto nas artes, quanto nas discussões metafísicas sobre existencialismo.
Dody sempre foi daquelas que a vida reservou em uma adega. E esta adega agora está pronta para ser descoberta. Ela não é só o vinho, é a vinícola e o sommelier. De uma astúcia manipulativa, encaixa palavras com uma precisão para lá de firme. E não tem aquele pudor ao escrever. Vem nela sempre a irrefreável certeza da sinceridade. Seus textos são puras demonstrações de sua existência. Deliciem-se! Ela é a notícia boa.
A notícia ruim vem de um de nossos escritores mais badalados e publicadores, André Nogueira, guitarrista da banda Gramofone e professor Doutor em História. Por uma questão pessoal – que o levou a se calar, e nunca o tinha visto assim – ele resolveu sair do Grupo. É uma perda, para lá de violenta, não por ser o André-escritor como já era conhecido aqui, mas porque ele sempre foi uma leitura agradável, um ponto de encontro entre a simplicidade e a amplitude intelectual que lhe era comum nos textos. Nunca podemos escolher escritores que sejam semelhantes nas palavras. Marquinhos é o típico crítico literário, preciso, precioso e eloqüente. Muito observador. Danilo Congruente é matemático, por isso de poucas palavras, sintético, mas denso. Marcelo Judeu é biólogo, resultante da Arthur Clarke, William Gibson e outros ficcionais científicos. No Trema ele tem se mostrado ter outra verve. Aqui ele é sua origem. Eu já sou um pouco memória. Observador. Tenho nos olhos aquela captação dos outros. É dela que escrevo. Crio imagens e memórias nos outros. Eu escrevo de imaginar vidas. Por isso, sempre me imagino estar com todos quando escrevo. Agora mesmo, na minha sala, estão Bárbara e Paula, uma ao lado da outra, analisando suas tatuagens. Marcelo, rindo como sempre, dizendo o quanto ama os amigos. André e Danilo tirando as últimas linhas de guitarra, metaforizando sons, Marquinhos analisando o simulacro do meu Nintendo Wii, jogando tênis. Alexandra a observar a todos, poucas palavras, muitos risos, somando ideias. Cerestino, com um violãozinho, percebendo a inerência de cada acorde, que o desperta para um novo mundo. Todos são essa mesma epifania musical que invade Cerestino. Todos são para lá de amigos, ou irmãos, ou próximos, ou parceiros. São parentes, nesse amor não-consaguíneo, mas firme e exagerado. Lembro de cada poema discutido com Alexandra e Cerestino. Cada música que toquei e escrevi com Danilo e André. Cada charuto que fumei e li com Marcelo – somado àquele xixi do Hulk – cada personagem e intenção discutida com Marquinhos. É uma pena não te ter mais aqui, André, mas esse espaço sempre será seu, aqui na net, aqui em casa. Você tem a chave de tudo. A hora que quiser entrar é só usá-la. Beijos.

3 comentários:

André Nogueira disse...

Adorei sua crônica, como todas as outras! Digamos que no momento estou muito mais p/: "desculpem o transtorno: (pseudo)escritor em manutenção" rsrsrsrs. Mas declarações de amor e amizade são sempre, sempre bem-vindas! No mais nada está quebrado ou alterado... Falando nisso a cerveja do último ensaio continua nos esperando p/ este domingo!!! BJs

Cerestino disse...

Pois é. Adré será uma falta daquelas que a vida costuma nos dar.

Seja qual for o motivo, tenho só a certeza que ele nunca vai parar de escrever, de "artear". Por que a arte, toda, é como uma tatuagem, uma marca que recebemos a fogo, antes de nascermos e que nos acompanha pro resto de nossa existência.

Um grande abraço!

Márcio Calixto disse...

Eu ainda tô meio baqueado. Ele mesmo assim não me falou, apenas disse que precisava sair mesmo, ele e os textos.

Quem sabe eles não voltam?
Tomara!

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