domingo, 15 de agosto de 2010

Gentileza gera GENTILEZA

“Com licença!”, “Pisei no seu pé? Perdão.”, “Desculpe, está meio apertado aqui!”, “Por favor, onde fica a rua tal?”, “Bom dia, Dnª Fulana!” e por aí vai. Tá difícil ouvir essas frases ultimamente? Pois é, põe difícil nisso! Agora todo mundo se tromba no Metrô, se espreme nos elevadores, é esmagado nos ônibus, se esbarra nas ruas sem sequer olhar para o outro, que dirá ser gentil. São os tempos modernos, de muita grosseria e desrespeito, tudo computado na conta da falta de tempo, da correria cotidiana. Mas eu nunca imaginei que se precisasse despender tanto tempo para ser educado!? Quantos minutos são gastos para cumprimentar o ascensorista do trabalho ou o motorista do ônibus que se pega todos os dias? E o zelador do prédio onde se mora? Não mais que dois segundos! Acho que esse tempinho não vai fazer falta na vida de ninguém, ninguém vai chegar atrasado por isso, tampouco vai cair a língua!

E se as pessoas não se dão ao trabalho desses simples gestos verbais, quanto mais os gestos mecânicos (no sentido do movimento e não no da banalidade)? Todos já viram a seguinte situação: num transporte lotado, entra uma senhora de idade ou uma mulher grávida e os homens, sobretudo os mais jovens, ao invés de se levantarem para ceder seu lugar, FINGEM que estão dormindo. Poucos são os que ainda lembram do que lhes foi ensinado por suas mães, porque podem apostar que isso foi ensinado, só que alguns têm Alzheimmer precoce e esquecem que um dia, se Deus permitir, também precisarão dessas gentilezas, quando as pernas já estiverem fracas para suportar o peso dos anos ou a barriga da sua esposa estiver pesando demais e causando inchaço dos tornozelos. Não estou apregoando que a gente deve se “abrir” para qualquer um, nem bancar o bobo alegre e sair cumprimentando estranhos na rua, mas podemos e devemos ser gentis com os conhecidos, amigos, namorados, etc.

Os pequenos gestos de gentileza não são supérfluos ou antiquados, como atualmente se pensa, são ações que ajudam a suavizar o cotidiano e o caos do mundo; auxiliam o relacionamento humano e amenizam a dureza da vida. A pessoa que recebe esses gestos sente-se feliz, importante, valorizada como ser humano. Amiga leitora, você não se sente lisonjeada quando um homem mantém a porta aberta para você passar, ou puxa a cadeira para você sentar, ou quando ele sai do carro e abre a porta do carro para você entrar? Nããão?! Que pena, eu me sinto super envaidecida, pois são pequenos gestos de carinho e atenção que sinalizam que eu sou importante para esta pessoa. E cá entre nós, são os pequenos gestos, mais do que os grandiosos, que enternecem o nosso coração e são guardados na lembrança para os períodos de escassez. E você leitor, não gosta quando sua namorada ou esposa escolhe aquele barzinho que você gosta por causa do chopp que ela nem toma, ou quando ela lembra daquele vinho que você adora e o traz para o jantar, ou quando ela tira bem a areia dos pés antes de entrar no carro? Tenho certeza que vocês homens adorariam que nos lembrássemos desses pequenos detalhes. E não seria uma delícia ler torpedos carinhosos no celular todos os dias? Ah, se nós parássemos em todas as lojas de eletrônicos e vocês em todas as de sapatos...

E por falar em telefones, pode existir maior falta de gentileza do que não retornar uma ligação, ou um e-mail ou uma mensagem de texto? Pode? Eu não sou a dona da verdade, nem quero ser, mas já estou na estrada há algum tempo para perceber que algumas coisas não são uma questão de obrigação e sim de educação e sensibilidade. Quando eu telefono para alguém e essa pessoa não está, fica claro que eu gostaria que ela me retornasse, pois tenho algo a lhe dizer; às vezes é um assunto importante, outras é apenas saudade, outras quero saber como está aquela amiga, se ela precisa de alguma coisa. Se for e-mail (e não sendo corrente, porque isso ninguém merece, nem o seu pior inimigo!) a cortesia da resposta é ainda maior, lembre-se que quem lhe escreveu reservou minutos do seu tempo para sentar e digitar uma mensagem. No entanto, os e-mails são um caso à parte, pois às vezes a caixa postal está tão cheia que não dá pra responder à todas as mensagens, aí sejamos condescendentes. Quanto aos SMS, esses, então, deveriam ser respondidos o mais rápido possível e sempre, pois levam apenas alguns minutos e não dão trabalho nenhum. Geralmente, nós escrevemos à pessoas com as quais temos ligações afetivas ou profissionais, o que faz com que nos ponhamos no lugar de quem escreve e sintamos a desagradável sensação de ficar aguardando uma resposta; agora se você não conhece quem lhe enviou uma mensagem ou não tem o menor apreço ou respeito por quem lhe escreveu e quer que essa pessoa esqueça que você existe, aí NÃO RESPONDA mesmo! Isso vai soar como um “EU NÃO TE SUPORTO, TE DESPREZO, VÊ SE TE MANCA!”. E a frequência da ausência demonstra o grau do menosprezo dispensado, viu?

Enfim, vamos nos lembrar do profeta Gentileza e seguir seu exemplo, vamos espalhar gotas de cortesia, vamos sentir como é gratificante tratar bem as pessoas, sorrir, agradecer,cumprimentar, retribuir, ajudar, pois como dizia minha santa avó: “A gente deve tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.” Sábio, não?

Um comentário:

Márcio Calixto disse...

Um texto sincero, espero que abra ares para que possamos repensar humanidade!

Bom texto, de muito bom gosto, como sempre lhe foi apraz!

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