terça-feira, 23 de dezembro de 2008
antes que eu esqueça
dizer que não te amava tanto assim
que aquela gota d'água era o fim
e que esperança não havia mais
pensei assim: quem sabe assim?
As mentiras que te conto são, de fato
as verdades que eu prefiro acreditar
que a vida segue em frente a fluir
e não espero aflito um encontro
e não me causa sonho
nem me tira o sono
a lembrança áurea
do oceano infinito em teu olhar.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A esfera do desejo
que desobedeceu Maria
Varou noite em dia
e disse nada ser em vão
Chorou o que podia
jovem descrente Maria
Da lágrima surgiu enchente
foi João descendo contente
Pegou garupa na tristeza da menina
que era sua nos contos da vida
Realidade triste a que se fia
Nascer João e só ser de Maria
Mas um dia além da cachaça
saiu João sem rumo na caça
e encontrou chorando Zezinho
quase afogado no meio do caminho
Chorava por ser só piada
e não chegar perto da fessora amada
que sempre o fazia pergunta
vinha palavra que não era sua
e disse conhecer um amigo
que triste ficava sozinho
seu nome era Luizinho
grande homem no diminutivo
Outro que pegou carona
em histórias que não eram suas
sem nome, a piada desmorona
humoristas de histórias vagabundas
Queria ser mais que coadjuvante
neste mundo de meninos errantes
Tinha sonho de ser cosmonauta
E não findado na mesma pauta
Lá foram João, Luizinho e Zezinho
pular carnaval sem peso de sono
o mundo, turbilhão de el-ninho
pequenos garotos, num mundo sem dono
Primazia de um bom momento
Quando se de cabo minha existência
E meu último dia se foi
Muito de mim se reconstruiu
Naqueles que por lá estavam
Mas a sombra daquela hora
que se cria em sangue parado
pouco seria justificado
se muito daquilo fosse revivido
Passamos horas lembrando
momentos bons de um passado belo
mas pouco vivemos de um presente eterno
a certeza da vida que pode ser criada
Damos preferência pela nostalgia
e pouco da vida se cria
preferimos os romances do passado
às histórias de agora
É como se não tivéssemos o direito
de criar dias que sejam perfeitos
o mundo roda pelo próximo dia
mas apenas queremos guardar o passado da família
História só é bela quando se justifica
passado de glória e certeza da vida
mas o presente é o refelxo da mais valia
que devemos ter hoje
Mas para mim meu hoje é retrato de lápide
e por mais que cada passo seu aja
saberei que ali se faz a eterna casa em laje
nos seus olhos, o concreto cerceia minha última mortalha
(Mais uma poesia minha, numa tentativa de achar que pode escrever. Uma boa tentativa, eu penso - façam os comentátios necessários)
domingo, 14 de dezembro de 2008
só pra descontrair [momento stand-up no pictorescos]
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Todo Carnaval tem seu fim
Como você deve saber, não basta a uma música ter uma boa letra, é importante que ela tenha uma melodia igualmente boa, que as palavras combinem com as notas, etc.
"todo carnaval tem seu fim" é um belo exemplo da junção de letra e música numa 'massa' consistente e saborosa. A primeira música do álbum 'bloco do eu sozinho' é de uma criatividade deliciosa, o que é característico da [infelizmente] extinta banda Los Hermanos.
O começo é uma das partes de que eu mais gosto[talvez seja necessário aumentar o volume para ouvir melhor]. O sentimento vacilante daquele trombone é um título não lexico pra música, pois expressa a idéia que a música passa do carnaval. Pra quem já foi a alguns carnavais por aí, ouvir esse trombone é ver um filme do que que é o sambódromo pós-carnaval.
"toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
toda bossa é nova e você não liga se é usada"
fala da alienação em relação ao que nos cerca, aquela comoda teoria de: 'já que é pra se divertir, que se dane tudo. Po, é carnaval cara...' idéia essa que se chega ao clímax no refrão:
"deixa eu brincar de ser feliz,
deixa eu pintar o meu nariz"
o resto, espero que vocês [nos comentários] nos ajudem a refletir sobre essa canção.
